As vozes dos fanáticos reverberaram mais que as nossas
A frase inicial do sucesso de Vanessa da Mata resume muito bem o que aconteceu neste 04 de outubro de 2026 aqui no Brasil. Mesmo a eleição para a presidência da República tendo 12 candidatos à disposição dos eleitores (até porque Pablo Marçal desistiu no meio do caminho pra apoiar Flávio Bolsonaro e Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, partido de Marçal, preferiu não seguir em frente e não apoiar ninguém), o resultado, para surpresa de aproximadamente zero pessoas, foi o mesmo que tem sido há oito anos.
Com a limitação das leis proibindo que figuras como Clariana Barão (DC) e o Veterinário Wilson Grassi (DM) tivessem acesso às sabatinas e debates no rádio e na televisão, outras figuras, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), o primeiro minado pelo próprio partido, que visava se aproximar do filho do beócio, e o segundo tentando a todo custo provar que tinha mais que 3% do eleitorado, mostravam que nem só de Flávios e Lulas se sustenta uma eleição. O chato é que, dos 109 milhões, 984 mil e 041 votos que colocaram, pela 3ª vez seguida, o PT e a máfia Bolsonaro no 2º turno de uma eleição presidencial, a grande maioria é fanática. Por ambos.
Senão, como explicar que, mesmo após a confirmação do resultado, a esquerda se enraiveceu com o Congresso, agora abarrotado de deputados e senadores do PL devido à péssima estratégia de campanha de Lula, mais focada nas redes sociais e nas ruas das grandes metrópoles, enquanto a extrema-direita bolsonarista permaneceu revoltada com a região Nordeste, onde Lula foi o vencedor absoluto?
Aliás, não só no Nordeste, hein... na Papuda, Lula também venceu. E assim como no cenário dos livres a votação foi apertada, no complexo penitenciário mais famoso da atualidade também foi. Enquanto o pai do sócio da pilantra angariou 74 votos, o rachador traidor conseguiu 70 (número de urna do Cury, que conseguiu 2 votos). Dizem que o voto é secreto, mas se a maioria do povo do Instagram já tava dando bandeira e a maioria dos candidatos, no encontro com os jornalistas, pediu voto mesmo sendo crime, por que ficamos privados de saber em quem o Vorcaro e o Careca do INSS votaram?
E pasmem: a culpa do segundo turno estar acontecendo, adivinhem, é nossa! Sim! Os 8 milhões, 729 mil, 604 eleitores que se dividiram entre Renan, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), somados aos 2 milhões, 300 mil, 798 eleitores que votaram em branco e aos 3 milhões, 674 mil, 249 eleitores que votaram nulo, são culpados pelos quase 110 milhões de votos nos dois vagabundos! E quem tá colocando a culpa na gente por isso? Quem votou nos dois vagabundos! É mole ou querem mais pra que fique duro?
Renan e Cury deixaram explícito que não vão apoiar nenhum dos dois, embora Renan deixasse claro que, levando em conta o cenário apresentado no 1º turno, a eleição já está no papo de Flávio. Zema, por sua parte, disse que, "se o PT está de um lado, eu estou de outro". Ou seja, aquele papinho torto de "os intocáveis" não serviu mesmo pra bosta nenhuma. Afinal, já era certo que o agora ex-governador de Minas Gerais iria escorregar pro lado do irmão do Vorcaro mais cedo ou mais tarde, obrigado ou não pelo Novo.
Aliás, os bolsominions aqui do Sul não têm moral alguma pra dizer que o povo do Nordeste vota mal. Afinal, os três governadores da região são do PL. No Paraná, foi ruim. Sergio Moro, traidor do século, se elegeu governador nas costas do Waldemar e dos Bolsonaro. Deltan Dallagnol, parceiro inseparável deste, só conseguiu uma das vagas ao Senado porque Kassio Nunes Marques o liberou até que o julgamento de sua candidatura aconteça dentro de alguns dias.
Renato Freitas, ex-vereador de Curitiba e ex-deputado estadual, que levou um cacete bem levado no meio da rua, foi eleito pra federal. Carol Dartora, ex-vereadora de Curitiba cuja campanha à Assembleia na eleição passada foi feita em meio ao uso de um carro público... da Câmara de Vereadores de Curitiba, foi eleita pra federal. A banda podre do Centrão, a saber, Ricardo Barros, Toninho Wandscheer, Ricardo Arruda, Francischini pai e filho... vai toda pra Brasília. Jeffrey Chiquini, extremista dos Bolsonaro, foi eleito pra federal e puxou o ex-Rede Massa Paulo Roberto Martins junto.
No nosso vizinho de baixo, foi pior. Carluxo mudou de domicílio eleitoral, se candidatou ao Senado por Santa Catarina e, numa diferença mínima, superou Espiridião Amin. Sim, o Carluxo se elegeu senador! Jair Renan, que como vereador de Camboriú só ajudou o município a ter uma fama ruim de mal administrada, foi eleito pra federal com 131 mil votos, sendo puxado por Júlia Zanatta, a mesma que foi vítima da misoginia da Erika Hilton meses atrás. E a gente achando que o Tiririca era ruim...
Ah, falando na hipócrita do PSOL, que lamentavelmente foi a 2ª mais votada em São Paulo pra Câmara (1,5 mi de votos) e vai puxar a banda podre da Federação PSOL-Rede pra Câmara, só perdendo pro igualmente inservível Lucas Pavanato, ex-MBL (3 mi de votos) que vai puxar mais uns quantos vagabundos do PL pra Câmara (sendo que a proporcionalidade em São Paulo tá mais demorada que a delação do Vorcaro), eis que a disputa de postes se concretizou.
O poste Fernando Haddad deu uma lição a Lula, comparecendo a todos os debates aos quais foi chamado e, indiretamente, chamando seu chefe de "bundão" e os estrategistas de campanha dele de burros. Mas ir pra um debate com o mesmo discurso velho e surrado do chefe, que só muda quando lhe é conveniente, é um atestado de óbito à própria candidatura. Logo, o poste do Jair, Tarcísio de Freitas, mostrou que tem mais traquejo pra enganar o povo e venceu com 62,65% dos votos, contra 36,42% do seu rival.
E no Rio de Janeiro, onde a candidatura do folclórico Anthony Garotinho acabou sendo impugnada, vai ter segundo turno entre Eduardo Paes, que largou a prefeitura do Rio às moscas pra virar poste do Lula no Palácio das Laranjeiras, e um tal de Douglas Ruas que o PL catou na Assembleia Legislativa do Estado, lugar para onde vai outro ex-MBL, o bolsonarista Gabriel Costenaro. Aliás, Costenaro é tão cosplay do Arthur do Val que já vai estar envolvido em algum escândalo sexual ao chegar à Assembleia, vai vendo.
E muito carioca que vota na esquerda tá puto com os votos do interior, a maioria em Douglas Ruas. Primeiro que não têm moral pra criticar, não. Esse povo que tá descendo a lenha nos fluminenses que elegeram à Câmara dos Deputados figuras como o General Pazuello, o Bebeto (tetracampeão) ou o Thiago Gagliasso (irmão do Bruno) colocou na mesma Câmara o Lindinho da Odebrecht, o Freixo, a irmã da Marielle, a Talíria, o Elias Jabbour, o Glauber Braga, o Pastor Henrique Vieira, a Jandira Feghali, a Nísia Trindade.... enfim, nomes que são, obviamente, contra transformar as facções em organizações terroristas, sendo que claramente se portam como um Hamas ou um Talibã da vida.
E segundo que não adianta ficarem colocando a culpa nos governos estaduais da direita ou da extrema-direita bolsonarista se quem pauta mudanças de lei são os parlamentares. E tanto o PT quanto o PSOL já demonstraram publicamente que não querem, em hipótese alguma, mudar quaisquer leis que, na prática, beneficiam as facções.
Agora, em matéria de capachismo político, o Sul bolsominion aprendeu bem direitinho com o Nordeste petista. Tanto que o Piauí já não tem mais conserto. Lá sim a direita não se cria no governo. Afinal, são inexplicáveis os 70,90% dos votos em Rafael Fonteles, cria de Wellington Dias e cadela de Lula, e a segunda vaga ao Senado lá ser outorgada a um tal de Júlio César, o "Julim do Lula". É a mesma coisa que o Fão do Bolsonaro ter sido eleito, primeiro vereador aqui em Cascavel e, ao que tudo indica, agora deputado estadual no Paraná.
E não é só: Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador na Bahia, indicando claramente que a capital baiana continuará tomada pelas facções. Além disso, Rui Costa e Jaques Wagner, este último atolado até o pescoço na lama do caso Vorcaro (que nem é Master mais), vão pro Senado. De novo.
Portanto, a conclusão a qual chegamos é a de que política séria, no Brasil, é utopia. Senão, não teríamos tanta gente votando em famosos da TV, do futebol ou até mesmo do Instagram (ainda que a maioria não se eleja). O que vemos é um país dividido, de fato. Não entre petismo e bolsonarismo, até porque estes métodos se retroalimentam desde 2018, quando Jair Bolsonaro foi pro 2º com Lula e Haddad (ainda que o primeiro estivesse preso), mas entre os fanáticos, que preferem que seus bandidos estejam disputando o 2º turno e se comam entre si para alegria deles do que participem de debates para serem confrontados publicamente pelos crimes que cometeram por pessoas que querem realmente fazer política no Brasil, e as pessoas que têm dois ou mais neurônios ativos, aos quais me incluo. Nós, sim, temos moral e consciência limpa pra dizer que já perdemos as esperanças em um Brasil melhor.
Até então, antes do fanatismo político entrar numa crescente sem precedentes e transformar o Bolsonaro x Lula em um Flamengo x Palmeiras do cenário político nacional, acreditávamos que PT e PSDB eram rivais. De certa forma, o PT tratava, já desde aquela época, seus rivais como "nazistas", "fascistas" e tantos outros "istas" aos quais são atribuídos até os dias de hoje.
Só que, com a derrota de Aécio, o golpe de Eduardo Cunha que derrubou Dilma e ascendeu Temer ao poder e colocou sob os holofotes do público um deputado do núcleo duro do Centrão que, até então, já estava convergindo com algumas opiniões de Luiz Inácio (incluindo um apoio memorável a Hugo Chávez no Estadão, dizendo até que Chávez era anticomunista, ou seja, mentindo já desde 1998), mas que, com a carência de um líder por parte de fanáticos integralistas, foi alçado ao posto de "patriota, conservador, Deus, pátria e família".
Sendo que, desde que seus podres foram sendo descobertos até antes de sua eleição, Jair Bolsonaro jamais foi um cidadão "Deus, pátria e família" de fato. Era, sim, um ex-capitão do Exército que tinha fama de ser considerado autoritário e ambicioso já dentro do quartel, segundo um superior. E isso, sim, ele comprovou ser na prática. Autoritário porque queria impingir a cloroquina como um remédio superior às vacinas em meio a uma pandemia que fazia vítimas mortais no Brasil e no mundo (discurso comprado pelo gado). Ambicioso porque praticou os mesmos atos político-corruptos que Lula e queria que o STF se dobrasse diante dele, como seu amante e sucessor fez quando voltou ao poder.
A ascensão de seus três filhos homens (Flávio no Senado, Eduardo na Câmara e Carluxo nas redes sociais) e de sua esposa Michelle aos holofotes, somada à fama repentina de Jair Renan, seu quarto varão, fez com que quem ainda tem as sinapses funcionando ligasse uma pista à outra: tem uma família que estava seguindo o mesmo caminho antes de sair do poder. Lulinha estava caminhando a passos largos pra ser tão vagabundo como o pai...
Passados 4 anos e vendo Flávio disputando a presidência com Lula, Carluxo e Michelle sendo alçados ao Senado e Jair Renan à Câmara, somado ao fato de que, sim, Lulinha se mostrou ser tão vagabundo como o pai, mesmo este alegando que não conhecia Roberta Luchsinger que, para ele, "é o Vorcaro feminino", estamos vendo o futuro repetindo o passado a cada nova eleição geral.
Os grandes vencedores desta eleição são o PT, o PSOL, o PL, o Novo, o Centrão, o STF (sim, quem diz que ele perdeu está mentindo), o Vorcaro e, principalmente, os fanáticos. Quem perdeu fomos nós, que ainda pensamos por nós mesmos, não apoiamos nenhum deles e temos que continuar trabalhando pra sustentá-los em mais quatro anos de um roteiro que sempre se repete: é eles na redoma de aço e a gente levando ferro.





