A festa vai virar enterro

Tanta enrolação pra compensar a decepção...

Não é possível que só eu esteja errado e os que apoiaram esta maldita convocação estejam certos. A começar que, até 2022, reunia-se o técnico e o auxiliar numa salinha de imprensa pra anunciar publicamente os 22 ou 23 convocados para a Copa do ano vigente, que começaria algumas semanas depois. Desta vez, porém, resolveram transformar um dos momentos mais solenes da Seleção Brasileira no Baile da Vogue. Um teatrinho sem graça, cantores que ninguém escuta normalmente (exceto o Dilsinho, o mais conhecido dos escalados pra se apresentarem até a hora da convocação), falação de fulano, de beltrano, de ciclano… pra bem no fim todos os presentes dentro e fora do Museu do Amanhã aplaudirem quando Carlo Ancelotti subiu a uma tribuna fake de coletiva e comemorarem quando este anunciou o nome de Neymar dentre os convocados. 

Tenho visto vários vídeos falando sobre a famigerada convocação de Ancelotti pra Copa 2026. Em todos, a coincidência maior é que vários jacus (neymarzetes, creio eu) arrumam justificativas injustificáveis pra descer a lenha na convocação do Danilo, do Lucas Paquetá (até a do Casemiro)… mas sobre o Neymar, que era o único que realmente não estava fazendo por merecer voltar a seleção desde 2023, ninguém fala nada. É impressionante o fato de que a única justificativa que muitos arrumaram é: “Ah, mas é o Neymar…” Gente, até onde eu sei, Neymar não é nenhum Ronaldo pra ser convocado por nome ou legado. Se nem Romário foi levado em 2002 por indisciplina (o que também aconteceu com Neymar no caso Robinho Jr.), qual é a justificativa realmente plausível pra convocar o dito cujo?

Isto porque o Santos, clube onde foi revelado e onde está, supostamente, encerrando a carreira, não vem muito bem das pernas no Brasileirão. E muito disso se deve à liderança de Neymar dentro de campo. A título de comparação, Neymar jogou neste ano 15 partidas e marcou 6 gols, média de 0,40 gols por jogo. Dos seis gols até aqui, dois foram pela Copa Sul-Americana, ambos contra o potente Recoleta, do Paraguai, um clube tão rasteiro que fez o seu logo por inteligência artificial. Ano passado, quando voltou ao Santos, jogou 28 partidas e marcou 11 gols (8 pelo Brasileirão), numa média impressionante de 0,37 gols por jogo. Seus melhores desempenhos então foram nos 5x1 contra a Bolívia pelas Eliminatórias da Copa (jogo no qual marcou 2 gols e deu uma assistência), e três 3x0: um contra a Inter de Limeira pelo Campeonato Paulista (1 gol e 2 assistências), um contra o Juventude (3 gols) e outro contra o Sport (1 gol e 1 assistência). Detalhe: a Bolívia não se classificou pra Copa via repescagem e Juventude e Sport foram rebaixados pra Série B deste ano. Bater em bêbado caído é fácil, o difícil será enfrentar uma França ou uma Espanha da vida, se passar da fase de grupos.

O que conforta as neymarzetes é que Weverton jogou, só neste ano, tomou 26 gols nas 29 partidas que disputou (jogando, portanto, mais que Neymar até agora). Entretanto, a média de 0,90 gols sofridos por jogo por Weverton é maior que as médias, deste e do ano passado somadas, de gols marcados por Neymar. E pra torcida é abominável um terceiro goleiro que leva mais gols do que joga, mas não um ídolo declarado dos mesmos que joga pouco e, quando faz excelentes partidas, é contra adversários mais fraco. Por isso, não seria surpresa pra esses caras se o Brasil supostamente goleasse o Haiti e Neymar fizesse uma grandiosa partida, mas fosse expulso contra a Escócia, já na última rodada da fase de grupos. Afinal, contra o Flamengo ano passado, não é demais lembrar que ele foi expulso. O mesmo Flamengo que viria a ser campeão brasileiro e da Libertadores pouco depois.

Só que, pras neymarzetes, mesmo nos períodos onde passou mais tempo contundido que jogando, Neymar esteve sempre no modo prime. E esse fanatismo todo pode custar muito caro pra seleção, que joga contra Marrocos em 13 de julho, na estreia da Copa. É sabido que a nossa seleção está cheia de lambaris. Todavia, como diria Zagallo, “Neymar é O bagre” tem 13 letras. E é na prática que as neymarzetes verão que tudo o que tenho escrito desde 17 de maio é a veracidade dos fatos. É errando que se aprende. Como dizem: “Nunca interrompa seu rival quando este estiver fazendo merda”.