Missão impossível IX: a Globo fugiu do debate!

"É bundona a emissora que cancela debate?", pergunta Fernando Haddad


Ao término desta indigesta campanha eleitoral, o Grupo Globo, Luiz Inácio Lula da Silva (Coligação Brasil Pronto Pra Mais: PT / PCdoB / PV / PDT / PSB / PSOL / Rede), Flávio Bolsonaro (PL) e a justiça humana deste país conseguiram demonstrar o que quem tem dois ou mais neurônios ativos e sinapses funcionando corretamente já sabiam: não valem bosta nenhuma, são inservíveis, imprestáveis e, se não mais existirem, já será um excelente ganho ao Brasil.

Tudo porque um candidato de um partido pequeno em início de carreira, cujas pesquisas apontam entre 3% e 10% (consideradas as margens de erro, evidentemente), conseguiu, 10 anos depois de liderar manifestações homéricas que culminaram em um processo questionável de impeachment (sim, questionável porque a Dilma sequer perdeu os direitos políticos), fazer uma nova revolução nas eleições, na justiça eleitoral e até mesmo na líder de audiência em TV aberta. Renan Santos (Missão) resolveu pagar pra ver contra os dois vagabundos e o sistema por eles armado.

Tudo começou quando começaram as sabatinas e os debates na TV. Sabemos perfeitamente que, de acordo com a portaria nº 473/26 do TSE, os únicos candidatos à presidência da República que tinham, entre 28 de agosto e 1º de outubro espaço garantido nos dois espaços do horário eleitoral e nas inserções nos blocos comerciais, bem como a prioridade de serem convocados a participar dos debates e das sabatinas, eram:
– Lula, com 11min02seg por dia e 434 inserções;
– Flávio, com 8min40seg diários e 339 inserções;
– o governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), com 4min04seg por dia e 160 inserções;
– o psicanalista Augusto Cury (Avante), com minguados 1min10seg por dia e 47 inserções.

Os demais não tinham sequer um segundo porque suas siglas ou são recentes ou não atingiram o quociente eleitoral necessário para tal (outra artimanha moderna para apear siglas pequenas da TV e do rádio). Este era o caso, por exemplo, do próprio Renan. O problema, porém, é que os dois líderes das pesquisas, a saber, Lula e Flávio, estão mais enfocados em agradar seus currais eleitorais fincados nas redes sociais que em responder às perguntas incisivas sobre os escândalos que os envolvem nestes últimos quatro anos.

Ora, as sabatinas do Grupo Globo e o debate realizado pelo pool Grupo Bandeirantes, Grupo Folha, TV Gazeta e Grupo Jovem Pan são um claro exemplo de como a volatilidade das narrativas dos puxa-sacos de Lula e Flávio é mais perceptível que uma espinha no meio da sua própria testa.

Nas sabatinas conduzidas por Natuza Nery e Andréia Sadi na Globonews, das quais Lula e Flávio fugiram covardemente (portanto, primeiro atestado de péssima conduta), ambas foram muito elogiadas pela esquerda por terem sido “corajosas” em relação ao enfrentamento contra Romeu Zema (Novo), Caiado e Renan. O que se viu em tela, no entanto, foram detalhes diametralmente opostos: duas jornalistas tendenciosas tentando arrancar de seus sabatinados confissões que eles não tencionavam fazer para lacrar e ajudar os perfis de fofoca posicionados à esquerda nas redes a lacrar junto.

Já o debate organizado pela Band foi mais uma mostra de covardia de Lula, Flávio e, quem diria, de Zema do que uma prova de coragem de Caiado, Renan e, quem diria de novo, Augusto Cury. A desculpa dada por Lula pra fugir do debate só colou mesmo entre seus apoiadores. Primeiro: quem em sã consciência iria querer discutir saúde, segurança, educação e economia pública com Samara, Hertz, Edmilson Costa e Rui Costa Pimenta sendo que o planejamento principal de UP, PSTU, PCB e PCO sempre foi o mesmo: inchar a máquina pública, reestatizando tudo o que foi entregue à iniciativa privada, tirando de quem já paga impostos altos e mantendo os supersalários dos próprios políticos e juízes da alta corte, coisas que eles jamais cogitaram cortar?

E o detalhe mais engraçado é que, por mais que o PSTU seja um braço do PT (foi fundado por ex-militantes do PT nos anos 90) e já tenha se aliado ao mesmo em 1994, Costa Pimenta, por mais lúcido que seja dos três, é o que mais se aproxima do PT no que se refere a corrupção, dado que a Polícia Federal o investigou por, acreditem, um suposto desvio do Fundão Eleitoral. O PCO só tem direito à cota única de R$ 3,3 milhões destinada a todos os partidos.

Segundo: Lula só fugiu porque tinha certeza de que seria questionado pelas mensagens trocadas entre seu filho Lulinha e a sócia deste, Roberta Luchsinger (guardem esse nome), como pelo péssimo 3º governo que fez, superando inclusive o beócio e sem pandemia no meio. Como assim? Acompanhem estas tristes estatísticas que os fanáticos da esquerda ignoram solenemente (bem como os escândalos do presidente):
– 50 milhões de brasileiros sentem insegurança alimentar (IBGE / PNAD 2024-25);
– apesar do recuo da taxa de desemprego, 38% da força de trabalho ainda é informal e o saldo de formalidade empregatícia é de 1,28 milhão, o mais baixo desde 2020 (IBGE / Caged 2025);
– durante o Lula III, a inflação tinha meta de 3% a 3,25%, mas sempre atingiu patamares dentro ou acima do teto de 4,5% a 4,75% (ou seja, a inflação foi de Dilma, atingindo a meta e dobrando a meta);
– até dezembro de 2025, mais de 81,2 milhões de pessoas (49,8% dos adultos) entrou na lista do Serasa, com dívidas totais na casa dos R$ 518 bilhões;
– embora o Orçamento de 2026 garanta os pisos constitucionais reservados à saúde e à educação, setores que, combinados, sofreram cortes de R$ 17,5 bilhões, afetando diretamente o SUS (por tabela, o retorno do Mais Médicos) e as periferias, analistas independentes e o próprio TCU já indicam que vai faltar verba pra atender o mínimo destes setores pro ano que vem;
– os cortes de 24/25 também atingiram o campo das pesquisas científico-tecnológicas, cujo orçamento de R$ 15,3 bilhões é considerado “migalha” por especialistas, sendo que o Brasil investe de 1,1% a 1,2% no setor (MCTI 2023-25) quando o que se recomenda é investir 2% a 2,5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento para competitividade global;
– mais de 365 mil pessoas ainda vivem em situação de rua, um número maior que o do último ano do desgoverno Bolsonaro;
– embora a taxa de feminicídios diminuiu este ano, subiu já no primeiro ano do Lula III, das quais 68,2% eram mulheres pretas, enquanto 35.213 homens pretos foram mortos no decorrer do período;
– a taxa de homicídios entre indígenas foi de 22,8 por 100 mil habitantes em 2023, sendo que em dados mais recentes, o número de mortes nos territórios dos Ianomâmi no Lula III já ultrapassou o índice no desgoverno Bolsonaro inteiro;
– houve também um acréscimo de LGBTcídios no país, maior até que na má gestão de Jair Bolsonaro;
– 26% da população brasileira, a maioria residentes em favelas, sofre com a perseguição constante de PCC, CV e outras aberrações de igual categoria;
– a aproximação com os BRICS, o Panamá e países não muito competitivos no cenário internacional, bem como o afastamento de fóruns como o de Davos, reforçam o isolamento seletivo no qual o Brasil se encontra;
– o Brasil continua entre os 5 países mais desiguais do mundo em questão de renda e riqueza: 59% da renda total está com os 10% mais ricos do país (aos quais os políticos se incluem), 37% do patrimônio nacional está com o 1% mais rico do país (ao qual os ministros da alta corte se incluem) e apenas 2,4% da riqueza se divide entre os 50% mais pobres do país.

Portanto, Lula convenceu sua base aliada de que o mais justo seria de que todos os candidatos deveriam ser convidados ao debate. Então, ele deveria ter mudado de canal e assistido o Fantástico ou, em condições normais, o Programa Silvio Santos. Ao invés disso, o que ele fez? Gravou uma entrevista para o Domingo Espetacular, da Record, poucas horas antes do mesmo ir ao ar. E como a atração, por uma questão de decisão externa, vem, há algum tempo, sendo exibida imediatamente após os jogos do Brasileirão aos quais a Record tem o direito de transmitir, foi uma estratégia de intelijumento canalizar a atenção dos seus apoiadores para esta entrevista. Mas nem eles viram: a revista eletrônica ficou em 3º, enquanto o debate bantesco ficou em 4º.

E se Lula não ia, Flávio também não foi. Em sua defesa do indefensável, gravou um vídeo de cinco minutos e meio dizendo que queria “debater com quem realmente importa”. Ou seja, ele quer forçar um segundo turno com Lula para que ambos se ataquem entre si (como Maluf e Covas fizeram no debate do 2º turno ao Governo de SP em 1998) ao invés de encarar suas ligações latentes com Daniel Vorcaro (que também tem o contato do Lula, frise-se) e com a produtora do incipiente filme Dark Horse. E se nem Lula, nem Flávio iam, Zema também não foi porque, segundo ele, “o debate sem Lula e sem Flávio perdeu o sentido e a razão de existir”. Ou seja, Renan poderia ter sido ainda mais teatral e trazer uma terceira fralda pra encobrir a ausência de Zema.

E pasmem: até o Augusto Cury também esteve a ponto de desistir. Gravou até uma live meia-hora antes. Só que, vendo a oportunidade que perderia de se apresentar a um público diferente daquele que conquistou com seus livros de autoajuda, desistiu de desistir. E o miserável foi um gênio! Conseguiu desarvorar Renan e Caiado com a paciência de um monge e a frieza de um jogador de xadrez. Chegou até a apontar o dedo na cara da "agressividade" do líder do MBL! Vendo isso, os fanboys de Lula e Flávio começaram a atacá-lo, o que resultou numa desabalada curva de ascensão das pesquisas pelo seu nome nas plataformas digitais (a qual desabou em questão de dias quando ele disse que não era da terceira via e queria unir-se a Lula e Bolsonaro).

Parecia que Lula e Flávio já tinham se lascado o suficiente. Até que Tralli e Renata resolveram agir diferente de seus pares da Globonews, dos quais 97% são favoráveis à continuação do desastre petista, e começaram a sabatinar os candidatos de maneira diferente daquela que William Bonner e a própria Renata imprimiram nas eleições de 2022, quando todo o Grupo Globo chapa-branqueou a favor de Lula. Desta vez, parafraseando porcamente Marcelo Falcão, do Rappa, os âncoras do Jornal Nacional armaram suas almas e as apontaram nas caras dos sujeitos (e não do sossego, como canta Marcelo).

Zema, Caiado e Renan sofreram nas mãos da dupla, que tentaram de todas as formas colar as imagens deles à de Jair Bolsonaro, como se quisessem que eles confessassem que o primeiro ato deles se eleitos seria anistiar o beócio. Zema e Caiado alegaram isso por mais que quisessem fugir, embora Caiado, em sua pré-campanha, já tivesse declarado publicamente que anistiaria Jair Bolsonaro (do mesmo jeito que Rafael Caldera anistiou Hugo Chávez na Venezuela, Chávez foi eleito, Bolsonaro o elogiou, Lula o adorou e o resto é história).

Também quiseram colocá-los como ditadores porque aparentemente os três declararam ser simpatizantes do método ridículo aplicado por Nayib Bukele em El Salvador. Bukele negociou com as “maras” (facções, no caso) pra ter a paz que o país queria. Só que no caso de Renan, o mais emblemático, o candidato afirmou que queria um “banho de sangue” dos faccionados, algo que a esquerda tratou de espalhar em forma de fake news como se a frase fosse aplicada aos trabalhadores que já sofrem com as facções com as quais o PT tem um “diálogo cabuloso”.

E com este gigante preâmbulo, pulamos algumas partes desta campanha pro artigo não ficar tão gigante quanto e chegamos a esta semana. Renan quis porque quis participar do debate da Globo. Afinal, valendo-se das pesquisas, ele entrou com recurso no TSE (a princípio, rejeitado por Kassio Nunes Marques, outro miguxo de Vorcaro) e no STF (rejeitado por Cármen Lúcia, a grande tirana). Eis que Renan mandou o recado: a Globo armou pra beneficiar o filho do amante de Lula. E ao que parece, foi exatamente isso mesmo que aconteceu.

Mas vamos devagar, que a santa é de barro, o andor é de madeira e até a santa em si virou alvo de fake news e ataques de ambos os lados no meio da campanha. Lula mandou avisar a Globo que iria continuar sendo o bundão que seu correligionário Fernando Haddad falou naquele tweet lá de 2020 e fugiu do último, mais importante e mais assistido debate do 1º turno da campanha, ou seja, o organizado pela Globo, preferindo desviar sua manada de jumentos para o Flow News, onde conseguiu uma audiência até respeitável (lamentavelmente, porque político, ao invés de ser cobrado, é adorado).

Com isso, a ministra Estela Aranha, indicada ao TSE por Lula (quem diria), resolveu proibir a emissora de mostrar o púlpito vazio de Lula durante o debate, bem como impedir os candidatos de fazer perguntas ao mesmo, para evitar aquele momento do debate da Band no qual Renan quis porque quis fazer uma pergunta... pro Lula! Ora, ao mesmo tempo, no STF, o sapo-boi Gilmar Mendes, outro envolvido com Vorcaro, mandou a Globo incluir Renan no espaço que era pra ser de Lula, tendo inclusive o mesmo espaço, tempo e visibilidade do mesmo. E adivinhem? O Flávio fugiu! Alegou "censura imposta ao evento pelo TSE". Na verdade, sabemos muito bem qual é a verdadeira razão pela qual Lula e Flávio fugiram: não têm capacidade pra argumentar sobre quaisquer assuntos com Renan. Afinal, o dito cujo, além de hablar sueco, tem uma dissertação invejável até mesmo pro Jair, que era bom de lábia mas ruim de argumentação (e mesmo assim ganhou várias eleições à Câmara e uma ao Planalto, é de lascar).

Mas eis que o pior aconteceu depois: a Globo também fugiu do Renan! A lastimável nota publicada no site de O Globo é de dar mais vergonha que o puxa-saquismo desvairado de Miriam Leitão a Lula. Vejam como isso é ruim: "Diante da interferência política e das violações à Constituição e à liberdade de imprensa (...)". Mas só agora vocês se tocaram, é? Sendo que vocês mesmos faziam isso há muito tempo, cambada de enjoados! Vocês ajudaram a eleger o Collor, hipócritas! Desceram a lenha no beócio e acariciaram o Lula enquanto ele estava na cadeia! Aí agora que a água bateu na bunda... "Ai, tá tendo interferência política..." É ruim quando outros lhes servem o veneno que vocês aplicaram nos outros, né?

"(...) a inclusão do candidato Renan Santos (Missão), ainda que ele não satisfizesse às exigências acordadas previamente (...)" Ou seja, assim como a Record, vocês demonstraram que não iam chamá-lo pra mais nada após a sabatina. Na verdade, só chamaram pra sabatina pra completar os seis dias da semana nos quais o Jornal Nacional é exibido, sendo que a "entrevista com o candidato" era um apêndice do noticiário em questão. E outra: "Ai, ele não serve..." Mas o Pablo Marçal servia, mesmo o PRTB não "satisfazendo às exigências" da emissora e vocês o escalando aos debates só por causa da popularidade imerecida dele? Quem redigiu essa nota, o Michel Temer?

"(...) Todos os candidatos deveriam comparecer (...)" Ora, mas vocês sabiam de antemão que os dois líderes da pesquisa, que são vagabundos e vocês têm consciência disso, não iriam participar dos debates; afinal, o Flávio só compareceria se o Lula fosse. Como a campanha do atual presidente ficou mais focada em fazer cortes pras redes sociais e participar dos podcasts que lhes convinham, bem como visitar seus redutos maiores em cidades grandes (sim, porque nas médias e pequenas quem foi de fato foi o Renan; taí Cascavel que não me deixa mentir), eles decidiram que Lula não iria a nenhum debate. Logo, Flávio concordou com essa tramoia. Ou seja, eles estão esperando se enfrentar no 2º turno, para alegria de seus adoradores.

"(...) E mancha as até agora limpas credenciais democráticas do próprio Lula (...)". Ah, vá tomar no cu, Grupo Globo! Se o Lula tem "limpas credenciais democráticas", o Vorcaro então deveria ser solto pelo Moraes hoje mesmo, vide que ele tem ligações comprobatórias tanto com Lula quanto com Flávio. E levando em conta a sabatina feita dentro da própria Globo este ano, percebemos claramente que ele não é limpo. Mas isso é assunto pra outro artigo.

"(...) Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa (...)". Então convidassem o Renan antes, porra! Se não fosse a frescura de vocês, essa celeuma toda não teria acontecido. Em 2022, vocês levaram o Padre Kelmon, um candidato que surgiu do mais absoluto nada que não rendeu nada, sendo que a candidatura dele era testa-de-ferro do Roberto Jefferson e, bem no fim, ele só serviu pra promover a Soraya Thronicke a ícone pop da esquerda.

"(...) A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da Globo." Então é obrigação de vocês fazerem uma limpa na Globonews. Lá, o que tem de jornalista defendendo juiz amigo do Vorcaro não é brinquedo. Leitão, Sadi, Natuza... ih, a lista é longa. Ué, se tão reclamando da politização da justiça, que não mantenham nos quadros do Grupo Globo quem trata o Alexandre de Moraes e o Flávio Dino como santos. Claro, é o mínimo de vergonha na cara que se espera de vocês.

Portanto, dado o antecedente de que o debate do SBT também foi cancelado porque Lula e Flávio fugiram, levando em consideração que a justiça também obrigou que Zema participasse, mas a Globo não disse um ai publicamente sobre, e levando em conta que Luciano Huck, uma de suas maiores estrelas, teve sua ligação com Vorcaro confirmada pela PF, o Grupo Globo demonstra, hoje, que sua existência é praticamente insignificante.

O maior veículo do grupo, que é a rede de TV aberta, mostrou no dia 1º de outubro de 2026, ao país onde nasceu, cresceu, amadureceu e apodreceu que não tem, como jamais teve, competência para cobrir de fato assuntos de importância nacional sem quaisquer tipos de polêmica ou de posição escancarada. Collor foi eleito por uma edição sem máscaras do Jornal Nacional. Lula foi eleito, reeleito e re-reeleito por apoio escancarado de artistas populares, alguns deles contratados da Globo. Quando Bolsonaro foi eleito, 90% das matérias dos principais telejornais do conglomerado eram negativas contra o mesmo. E se Renan, hipoteticamente, fosse eleito, podem ter certeza: seria a mesma coisa.

Portanto, o Grupo Globo não tem culhão pra criticar nem Lula, a quem tanto deu palco enquanto pode, nem Flávio, a quem bateu continência nestas eleições, nem a justiça, a quem se rendeu em diversas ocasiões quando se sentiu ameaçada pela concorrência interna e externa. O grupo que detém a maior fatia da atenção dos anunciantes e da audiência demonstrou que não os merece. O grupo que conseguiu crescer pisando em pessoas, emissoras e até mesmo em leis demonstrou que não tem moral pra criticar pessoas, emissoras e nem mesmo as leis. O grupo que conseguiu cooptar para si o IBOPE, detendo quaisquer tentativas de demovê-lo do monopólio da medição de audiência televisiva no país, hoje comprova que só o próprio IBOPE, com o arcaico aparelho do Peoplemeter, justifica o porquê da Rede Globo ainda ser líder.

O Grupo Globo cutucou uma onça com vara bem curta. E a resposta será dada em 04 de outubro. Se antes as pesquisas estavam dando Lula e Flávio como certos no 2º turno e Renan como um "pouca bosta", chegando a 3%, dados os antecedentes descritos neste artigo, a fuga das galinhas, a campanha pelo interior do Brasil (que decide muito mais que os votos das grandes metrópoles) e a diarreia da Rede Globo, agora Renan está praticamente cavando uma das vagas na votação do dia 25.

Se antes quem iria decidir o voto dos indecisos era Daniel Vorcaro (que, inclusive, vai votar na Papuda e vai ser o verdadeiro indeciso das eleições, pois não sabe em qual dos seus dois contatos vai depositar sua confiança), agora quem decidiu o voto da maioria dos eleitores foi o cancelamento do debate da Rede Globo. Anotem: Lula e Flávio cavaram suas covas e correm o risco de ambos ficarem fora do 2º turno porque quiseram assim. Só os fanáticos cujos cérebros estão completamente lavados (e o Vorcaro, o Moraes, o Alcolumbre, o Motta e a banda podre da política) votarão neles. E um dos dois perderá a vaga pro Renan.