Entre Cristo e os dois demônios, a minha escolha continua óbvia
Se Lula e Flávio Bolsonaro se utilizam da fé alheia pra tentar conquistar o seu voto, eu também usarei da fé para demonstrar o quanto eles estão mortalmente equivocados quando dizem ser “cristãos”. A Bíblia nos conta em Mateus 27:15-26, quando do júri popular ao qual o Senhor Jesus Cristo se submeteu, que Pilatos sempre soltava algum preso nas festividades da Páscoa. Casualmente, para ser alvo do escrutínio do grande público, havia um outro Jesus que não o Cristo. Sim, Barrabás também se chamava Jesus (por mais que algumas versões da Escritura não o registrem como tal).
Barrabás era um réu confesso, tendo cometido diversos crimes ao longo de sua vida, e estava por ter o benefício da soltura sem imaginar. Do outro lado, estava Jesus, que sabia que iria ser condenado, pois este era o plano desde o início. No entanto, Pilatos, que era o “isentão” da história, sabia que os sacerdotes e líderes do povo judeu só entregaram Jesus pra morrer por pura inveja. Ora, Pilatos foi avisado pela esposa que não tivesse a ver com Jesus, vide que ela teve um sonho com o Senhor na noite anterior e sofreu muito por causa d’Ele.
E como sabemos, haviam cinco grupos religiosos de forças diferentes entre o povo na época. Segundo Eduarda Armendaris escreveu no Threads, em conteúdo que adapto a este artigo, cada grupo tinha uma expectativa distinta sobre quem deveria ser o Messias… e o Senhor Jesus frustrou todos eles, um por um.
Haviam os essênios, separatistas, que acreditavam que o Messias não deveriam ser parte do sistema, ou seja, deveria ser puro, distante, isolado do mundo. É algo parecido com o que o PSTU, o PCB, a UP e o PCO defendem hoje: uma revolução do sistema, algo diferente, isolamento dos grandes centros como os Estados Unidos, a Europa e, economicamente falando, até a China, se preciso for. Mas o Senhor Jesus era sociável demais: comia com publicanos, tocava em leprosos (curando-os até), abraçava pecadores (convertendo alguns deles)… ou seja: “Não pensem vocês que eu vim para acabar com a Lei ou com os ensinamentos dos profetas, mas vim para dar-lhes o sentido completo deles” (Mateus 5:17).
Haviam os fariseus, que eram um dos dois maiores grupos da época, os legalistas, que queriam um Messias que reforçasse as regras, até baseando-se no que disse no versículo supracitado. E vou além: os fariseus se sentiam os únicos autorizados a alterar a Lei de Moisés nos pontos que lhes fosse conveniente. Esses fariseus, nos dias de hoje, representam o bloco bolsonarista, formado por PL, Agir, PRTB, Novo, e o Centrão, bloco majoritário de partidos onde estão inseridos o Republicanos, o PP, o PSDB, o MDB, o PRD, o União Brasil, o Podemos e o Solidariedade. Só que o Senhor Jesus era libertário demais pra eles: curava no sábado, desafiava as tradições… até os chamou publicamente de “guias cegos” e “sepulcros caiados” em meio ao próprio povo que eles subverteriam depois (Mateus 23).
Haviam os saduceus, que eram oposição ferrenha aos fariseus por não acreditarem na ressurreição, nas coisas celestiais e, se bobear, nem mesmo no próprio Messias. Eles queriam status, eram a aristocracia, eram o próprio sistema. Queriam um Messias que mantivesse tudo como estava. Logo, qual seria a melhor representação atual dos saduceus que não as duas maiores federações da esquerda, ou seja, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e a federação formada por PSOL e Rede? São elas as maiores controladoras do sistema, estejam ou não no poder. Só que o Senhor Jesus era revolucionário demais: não só confrontou o sistema político-religioso como virou as mesas dos cambistas dentro do Templo: “Vocês transformaram a minha casa num covil de ladrões” (Marcos 11:17).
Haviam os zelotes, que queriam violência, revolução armada, sangue, espada… eram o MBL com ares de PL e tons de PSTU. Mas o Senhor Jesus era pacífico demais pra eles. Quando Pedro arrancou da espada pra ferir um soldado que levava Jesus preso para que se cumprisse Seu destino, o Senhor foi categórico: “Guarde a espada! Acha mesmo que eu não vou cumprir aquilo que o Pai me ordenou?” (João 18:11). E haviam os liberais, que queriam flexibilidade, os que relativizavam tudo e queriam uma moral mais flexível. Eram o PSB e o PDT da época. Mas o Senhor Jesus era conservador demais pra eles. Quando alguns fariseus liberais chegaram perto dele perguntando se, por qualquer motivo, poderiam mandar a mulher embora. Em resposta, o Senhor Jesus disse: “Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu” (Mateus 19:6).
Com todo este ambiente político-religioso descrito, levando-se em conta que os fariseus e os saduceus conseguiram também convencer os demais grupos a pedir a crucificação de Cristo e a soltura de Barrabás, Pilatos cometeu a audácia de perguntar quem eles queriam que fosse solto. A resposta, logicamente, era uma só: “Barrabás!” Então, ele perguntou o que fazer com Jesus. A resposta foi ainda mais óbvia: “Manda pra cruz!”
Perguntou, sem obter uma resposta óbvia, que crimes o Senhor haveria cometido para receber tal punição. O povo, sem escutá-lo, pediu mais alto pela crucificação. Por isso, vendo que não conseguiu demover a multidão da ideia, mandou trazer água, lavou as mãos na frente do povo e disse: “Eu não tenho nada a ver com a morte d'Ele. Vocês que se virem!” O povo, então, disse: “Que o castigo caia sobre nós e sobre nossos filhos!” Pilatos soltou Barrabás e condenou o Senhor Jesus à morte, a pedido do povo.
Hoje, a situação se repete. A diferença é que Pilatos não tem quaisquer tipos de poder senão o voto. E pra ele, o único voto útil que existiu no 1º turno, tal como existe agora, é o voto nulo. Os fariseus bolsonaristas e os saduceus petistas, no intuito de tentar angariar uns votos novos aos seus Barrabás, ameaçaram, amordaçaram, humilharam, xingaram e destroçaram a todo o povo o quanto puderam. Enquanto os essênios e os liberais se bandearam pro lado dos saduceus, os zelotes se dividiram em três: alguns declararam voto no Barrabás dos fariseus, outros no Barrabás dos saduceus e houve até uma parte que se juntou a Pilatos no grupo dos lava-mãos.
E o Senhor Jesus, vendo tudo isto do Seu trono de glória e poder, do qual só sairá para o arrebatamento dos cristãos fieis, que será público, e para a batalha final contra o exército de Satanás, já decidiu enquanto esteve na Terra não apoiar a ninguém, fundamentando-se unicamente em Seus corretos ensinamentos. Portanto, os únicos que acreditam que os Barrabás são “cristãos” só porque Barrabás também se chamava Jesus são os fariseus e os saduceus. E um dos dois Barrabás vai ganhar esta disputa. Não com o meu voto. Não com o voto dos Pilatos.
Quem é verdadeiro cristão não vota em político metido em corrupção. Ambos têm as mãos sujas de dinheiro desviado. Ambos têm envolvimento comprovado com Vorcaro (Lula só não tem mensagens trocadas com Vorcaro porque só aprendeu a mexer com celular agora na campanha). Ambos são populistas, fisiologistas, clientelistas e com um histórico familiar e político nada abonador. Por isso, se o Senhor Jesus Cristo já deixou bem claro que nunca foi a favor de nenhum dos dois demônios, nem os fariseus e nem os saduceus têm moral alguma para me obrigar a votar em qualquer um dos dois Barrabás. Entre Jesus e os Barrabás, eu crucifico os Barrabás, o que for eleito e o perdedor, e solto a Cristo, este sim, o verdadeiro governante que elegi pra minha vida.
