Bolsonaristas, quando querem, trocam a cor do “verde e louro desta flâmula” que diziam defender
“La vida es una tómbola, Ton”, já cantava Majo Aguilar há alguns anos atrás. E claramente esta afirmação, ainda que em espanhol, é a mais correta leitura do que se tornou aquela que foi a pior das eleições gerais desde a redemocratização do país. O que se viu no período correspondente entre os dias 05 e 25 de outubro de 2026 foi uma amostra do que o Brasil vai testemunhar ao longo dos próximos anos, no que se refere a campanhas eleitorais.
É inegável que quem votou em Lula só o fez porque havia um Bolsonaro do outro lado, ao passo que quem depositou seu voto em Flávio só o fez porque Lula estava do outro lado. E este argumento, por mais surrado que esteja, continuou vigente em toda a campanha. Enquanto isso, eu e milhões de pessoas, que temos uma leitura de país diferente da dos fanáticos de ambos e sabíamos que votar em um ou em outro é praticamente ignorar os históricos corruptos de ambos os lados (incluindo-se aí a recente ligação com Daniel Vorcaro), insistimos em vão que se votasse nulo.
No entanto, cabe ressaltar que os “isentões” não têm espaço nem na grande mídia e muito menos nos algoritmos que a internet impõe, o que explique porque nosso movimento não atingiu ao grande público e, se atingiu, foi pra nos achincalharem. Só que quem errou mais no 1º turno e pareceu errar mais no 2º foi justamente quem venceu. E quem aparentava não querer errar começou a demonstrar sua fragilidade imediatamente após a inesperada virada.
Primeiro, Flávio convocou um pronunciamento logo depois da apuração, anunciando que iria pedir a anulação das eleições, o que endossou posicionamentos de sua boiada, tais como Pablo Marçal, o coach picareta que era pra ser o Janones do Flávio e acabou melando a campanha na reta final, que alegou que havia “caroço nesse angu”, Lucas Pavanato, o deputado bailarino que conclamou o “povo” às ruas, e Jessicão, vereadora de Londrina que, eleita deputada, conclamou às empresas que demitisse quem fosse da esquerda. Desnecessário dizer que ambos levaram bronca: Pavanato de Nikolas, que disse que os eleitores não deveriam agir por impulso, e Jessicão dos trabalhadores, sobretudo os que nela votaram, que não concordaram com tal posicionamento.
Depois, o Centrão, bloco que segue à risca o lema “follow the money”, tendo seu atual núcleo duro fundamentado na federação formada por União Brasil e Progressistas, juntamente com Podemos e Republicanos, havia declarado apoio a Flávio no 2º turno, contanto que os presidentes da Câmara e do Senado fossem outros. Só que após o término das apurações, o Centrão não aguentou ficar fingindo por mais tempo.
Eles viram que o primogênito de Jair exagerou demais na arrogância, na prepotência e na soberba (herança de sangue, obviamente), e logo Hugo Motta e Davi Alcolumbre, o irmão e o amor de Vorcaro, estavam tão exultantes com a reeleição de Lula que nem disfarçavam que iriam permanecer no controle do Sistema no Legislativo. Motta, apesar do Republicanos, fez o L; já Alcolumbre, por mais que não apoiasse Lula publicamente, estava sendo apontado como alinhado à candidatura do atual presidente. Mas a coletiva conjunta não deixou dúvidas: os sorrisos dos dois mandatários do Congresso eram tão grandes que quase engoliam os brincos.
Sabe aquilo do impeachment de ministros do STF? O Alcolumbre negou por agora. Se rolar, vai ser num futuro distante. Mas pra apear o Kássio e o Mendonça. Alexandre, Gilmar, Tóffoli e Dino vão continuar blindados pela tropa de choque do Centrão. E mais: sabem quem eles querem pra candidato à presidência em 2030? O Tarcísio, bolsonarista moderado, que é do Republicanos! Ou seja, o sistema já tá minando qualquer ameaça bolsominion pras próximas eleições.
Lá fora, Eduardo, o chapeiro traidor, estava numa live acompanhando a apuração daqui. Quando viu que Lula virou, se ausentou. E ainda gravou um vídeo em inglês (vejam que audácia), no qual alega que houve fraude e pediu pressão estrangeira pra não reconhecer o resultado. O que não deu certo, vide que países governados pela extrema-esquerda como Espanha e México não só reconheceram o resultado como estão requerendo os serviços de André Janones, que, afinal, foi o grande responsável pelo arregimentar da boiada petista na reta final do 2º turno.
E lógico que a boiada parlamentar do governo resolveu agir, ainda que vá ser a minoria ano que vem. Pediram a apreensão do passaporte de Flávio, ao passo em que o STF, cujo presidente a partir de 2027 será Alexandre de Moraes, deverá mandar investigar o futuro ex-senador por lavagem de dinheiro em casas de apostas no caso Willer Tomaz e pelo financiamento da bomba Dark Horse no caso Vorcaro.
Na manhã de 26 de outubro, Flávio foi visitar Jair, com medo de ser intimado pela Polícia Federal e do passaporte ser apreendido. Os aliados do miliciano discutiam a mudança dele para os Estados Unidos, onde Eduardo já havia fincado suas bases. Bom… o Flávio foi intimado por determinação de, adivinhem… Moraes! O protoditador da República mandou o descondenado se afastar de Willer e mandou a PF cancelar até o passaporte diplomático dele!
Pois bem… um dia ainda tem 24 horas. À noite, o site argentino Infobae, um dos mais acessados do país hermano, alegou que Flávio, em um voo privado, teria deixado o Brasil e ido justamente pra Argentina. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, disse que “não saiu”, mas as pulgas já tavam atrás das orelhas dos agentes da PF, que entraram em contato com as autoridades argentinas, embora o Ministério da Segurança de lá negasse que Flávio estivesse no país.
No entanto, já é o 2º dia no qual Flávio não se comunica nem com os aliados. Enquanto isso:
– a PF tá de olho nas fronteiras pra ver se (e por onde) o ex-presidenciável supostamente teria escapado;
– dois aliados confirmaram que o Flávio atravessou a fronteira (mesmo, reforçando, sem ter contato com ele);
– Dino se meteu na história e tá querendo saber se houve interferência estrangeira na campanha de Flávio;
– alguns agentes da PF já querem o Flávio preso preventivamente;
– até o ICL foi encher o saco do pessoal da mansão do Flávio (sem sucesso)
– alguns aliados afirmam que a saída do Flávio foi feita às pressas e às escondidas;
– um site de rastreamento aéreo identificou um avião parado em Puerto Iguazú, no qual o Flávio iria viajar pros States;
– a PF tá estranhando que os argentinos não tenham confirmado que o Flávio tenha fugido pra lá;
– segundo o canal Todo Notícias, o Flávio teria ido pra Argentina à noite, a pé;
– os advogados de Flávio também não conseguem contato com ele;
– o porta-voz de Javier Milei declarou que Flávio não pediu asilo na Argentina, ainda que a embaixada do país no Brasil estivesse aberta a madrugada inteira esperando justamente por isso;
– um piloto recebeu uma informação de um funcionário de um aeroporto que o nome de Flávio estava na lista de passageiros de um “voo executivo” em Puerto Iguazú;
– até o Carluxo tá calado desde domingo (o que é raro de acontecer);
– alguns ministros do Lula culparam o Moraes pela fuga do Flávio…
E como se não bastasse, o Flávio conseguiu, de fato, fugir pros EUA. E pasmem: o Jair só foi preso porque não conseguiu fazer o mesmo a tempo. Ou seja: a família Bolsonaro nunca foi, de fato, patriota. Só arrebanhou um gado enorme com um discurso vazio, do mesmo jeito que o Lula sempre fez, só que com o sinal trocado. No entanto, na primeira oportunidade, eles sempre acharam um jeito de se arreganhar pros estrangeiros. Se não pro Trump, pro primeiro extremista que vissem na frente.
Portanto, há que se ressaltar: a chance do TSE ou do STF aceitarem quaisquer denúncias da ala bolsonarista de tentar anular o pleito é ínfima perto da chance dessa mesma ala bolsonarista ser enjaulada antes mesmo de tomar posse na Câmara e no Senado ano que vem. E nem que seja no inferno, Flávio, Eduardo, Carluxo e Jair Renan serão perseguidos e irão pra cadeia. A Michelle, vendo tudo isso, encontrará a melhor saída pra se afastar. Como não terá mais tempo pra ser cuidadora do Jair, vai acabar pedindo divórcio e indo pro mundo. Vai se aliar a Joice Hasselmann. E aí sim, como num passe de mágica, o bolsonarismo será reconhecido como uma organização terrorista. Esperem e verão.
