Como reconhecer um discurso político manjado

Aprenda pra não votar errado depois


Estamos perto do início do período eleitoral, onde as convenções partidárias começarão a definir os candidatos à Câmara dos Deputados, ao Senado, às Assembleias Legislativas, aos governos estaduais e ao governo federal. Mas, como todos nós já estamos carecas de saber (e nisso eu me incluo), este período, principalmente nos horários eleitorais, no cara a cara com os eleitores e nos perfis de redes sociais, será marcado por fake news e falcatruas das mais diversas.

Por isso, hoje estou aqui pra ensinar a vocês como não confiar em qualquer merda que o seu político de estimação fale (e se não tiver político de estimação, melhor ainda). Tomemos como exemplos os planos de governo de alguns dos candidatos à presidência que disputaram as eleições de 2022. Os dois maiores exemplos aqui, obviamente, serão os eternos amantes Lula e Bolsonaro, que vivem num jogo de gato e rato desde que o primeiro foi preso (e não devia nunca ter saído da cadeia).

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Lula dizia querer reconstruir o Brasil… logo ele que o destruiu em dois mandatos seguidos com programas sociais clinicamente planejados pra enganar o povo e dizer que ele era “o paladino da moral e da honestidade na coisa pública”. Lula defendia revogar o teto de gastos, coisa que, aliás, Bolsonaro também ameaçou fazer enquanto esteve presidente. Lula também citava o fortalecimento da agropecuária, que foi o setor mais perseguido pela esquerda, afinal, pra eles, quem entende de agropecuária é o MST, cujo arroz é mais caro do que um parboilizado normal, por exemplo.

Lula também previa combater o “uso predatório” dos recursos naturais, embora ele não tenha aniquilado 1% sequer dos garimpeiros que ainda destroem os terrenos dos yanomamis, por exemplo. Lula também previa a ampliação do Bolsa Família, que foi de fato ampliado, mas muitos usuários o utilizam pra jogar no tigrinho, que foi praticamente legalizado na sua atual gestão. Lula também apostava no desmantelamento das organizações criminosas por meio do “fortalecimento da investigação e da inteligência”. Engraçado… ele não conseguiu fazer isso nem no Mensalão, nem no escândalo das sanguessugas e muito menos nos escândalos envolvendo ministros do STF, levando em conta que as maiores organizações criminosas do país não são o PCC nem o CV. Pra competir com o Supremo e o PT, eles têm que comer muito arroz com feijão ainda.

Ou seja, este ano, o atual chefe de Estado do país (sim, porque o chefe de governo é o Exc. Sr. Ministro do STF Alexandre de Moraes) vai concorrer à reeleição com certeza. E com certeza ele vai, na cara dura, mentir que o país está uma beleza (quando quem tem dois ou mais neurônios [e o gado bolsominion] já sabe que não está), que estamos crescendo na economia, a saúde e a educação estão às mil maravilhas, o povo está seguro (quando a chacina cometida no Rio pra acabar com a vida de diversos meliantes é a prova cabal de que não está) e que ele precisa de reeleição pra avançar ainda mais em seus planos que, como todos nós já sabemos, não só são mentirosos e eleitoreiros como prejudicam o crescimento do país.

Jair Bolsonaro (PL)
Em seu plano de governo versão 2022, Bolsonaro apregoava a questão da “liberdade”, sendo que ele praticou a “libertinagem” em seu governo. Defendia a “liberdade econômica”, mas colocou um liberal de Taubaté pra ser ministro da Economia. Defendia a “liberdade religiosa”, mas foi o governo que mais perseguiu opositores religiosos e, na prática, só adulou os crentes (não cristãos) que achavam que ele era a reencarnação de Cristo na Terra.

Defendia a “liberdade para defesa de direitos”, mas solapou todos quando decidiu, a qualquer preço, dar um golpe de estado que não deu certo (para a glória de Deus). Defendeu a “liberdade para o uso responsável dos recursos naturais”, mas foi no seu governo que os garimpeiros resolveram invadir pra valer as terras yanomami. Defendia a extensão do acesso a serviços básicos de saúde, quando a sua gestão foi a que mais negou que havia uma pandemia em curso e seus lambe-botas sempre fizeram questão de diminuir a importância das vacinas e do combate à COVID, mesmo tendo milhões de mortos pela doença ao redor do mundo.

Defendia atos que não praticara nem em seu próprio governo, tais como a reforma tributária, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos, a reforma administrativa (que nenhum governo praticou de fato no século XXI) e a manutenção do famigerado Auxílio Brasil em R$ 600, com o custo de vida batendo quase R$ 7 mil. Defendia, igual a Lula, que o crime organizado deveria ser combatido com inteligência, sendo que o único ato inteligente a se fazer com membros praticantes de organizações criminosas que não queiram se entregar por bem à polícia é bala na cabeça. E ele próprio sabe disso… tanto que até ele merece uma.

Não se surpreendam se algum candidato por ele apoiado ou parente cosanguíneo dele defenda essas mesmas coisas atacando diretamente a Lula. Sabemos que os Bolsonaro são a família Soprano da vida real e que, assim como Lula, construíram dinastias que ameaçam a soberania da pátria até hoje.

Ainda, haviam outras candidaturas escondida da mídia (e do horário do TSE), tais como as de Leonardo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB) e Vera Lúcia (PSTU), todas de extrema-esquerda, que defendiam o mesmo plano idiota de: revogação de todas as reformas feitas por Lula, Temer e Bolsonaro; nacionalização do sistema bancário; suspensão e anulação de dívidas, pagamento de juros e amortização da dívida pública; reforma tributária baseada na taxação excessiva de grandes fortunas; reestatizar empresas; fim das polícias militares e inclusão do povo nas polícias estaduais; descriminalização do uso de drogas (incluindo as mortais); adoção de medidas contra o “encarceramento em massa”; ruptura total com o capitalismo, etc.

É público e notório que isso deu tão certo que Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, na cabeça dessas figuras, são grandes potências. Tanto que o modelo burro de governo desses países esses partidos pequenos querem copiar aqui, quando já se provou que não deu certo. Por isso, como disse Afif Domingos em 1989, “eu quero que eles venham no argumento e não no urro”. Pesquisem na internet sobre essas antas que aparecerem por aí, porque não vão ter tempo no horário eleitoral pra falar tanta bosta. O povo já não participa do governo no capitalismo, que dirá no comunismo… e outra: vão censurar e calar opositores à bala, como o insípido Mauro Iasi (PCB) defendia já em 2014, ou seja, refazer as torturas da ditadura militar só que com a bandeira vermelha com foice e martelo amarelos. O que, na prática, abriria caminho ainda mais largo para as decisões monocráticas do STF em relação a isso.

E sobre os demais planos de governo da época, nem é preciso dizer, vide os caminhos que tomaram depois: Felipe D’Avila ficou muito marcado pelo “que tistreza” que soltou no debate da Globo em 2022; Simone Tebet virou ministra de desenvolvimento do Lula e só vem conseguindo, nos bastidores, desenvolver uma parceria com Soraya Thronicke, que pode culminar em uma candidatura de ambas ao governo de Mato Grosso do Sul; Ciro Gomes já declarou que não entra nas eleições de 2026; Eymael… nem é preciso dizer muito, pois, assim como Marina Silva, só aparece em tempo de eleição.

Portanto, cuidem-se com as lorotas. E não votem em qualquer um, pois já se provou que, com qualquer um no poder, é o povo brasileiro que tá ferrado.