O identitarismo assassina pautas

Essa praga só anula a luta de quem realmente sofre preconceito

Desde que o identitarismo, que foi criado por alguém que não tinha nada pra fazer, assaltou as lutas contra todo e qualquer tipo de preconceito, o preconceito só aumentou. Por quê? Porque os identitaristas só abrem a boca pra espalhar fake news e tentar impor a mentira deles como se fosse a verdade mais absoluta que há no universo, solapando a Bíblia.

As mais recentes foram duas pessoas, que eu não quero ter o desprazer de citar o nome pra não deixar com mais má fama que já têm. Ambas eu vi em vídeos no TikTok e ambas me tiraram a paciência, elas em seus respectivos ambientes e eu na minha própria casa. Uma disse que o fato de algumas pessoas (às quais me incluo) não gostarem de carnaval é racismo estrutural. Essa identitarista resolve pura e simplesmente anular a luta contra o racismo falando uma sandice dessas sem quaisquer pesquisas mais profundas. Racismo estrutural não existe, existe racismo. Ponto.

Não deveria existir, é fato consumado. Mas, porque essa pessoa se dá ao luxo de utilizar a expressão que tem pra falar merdas que deixam até os Bolsonaro admirados e com vontade de aplaudir tamanha estupidez, o racismo continua. Quer dizer então que se eu parar de gostar de comer chocolate ou de tomar café é racismo estrutural? Quer dizer que se eu começar a vestir só roupas pretas eu estou cometendo o “crime hediondo” de apropriação cultural? O que de fato existe é a burrice estrutural. Sim, porque, como vocês podem reparar, pra não dizerem que são burras, as pessoas inventam “ai, eu tenho TDAH” ou “ai, eu sou autista”. Ou seja, até nesses casos existe o identitarismo que, assim como o racismo, não deveria existir.

E esta figura, tentando impor padrões que a sociedade jamais exigiu, aponta o dedo na nossa cara e fala, sem ter razão alguma, que, por nós não gostarmos de uma festa que sempre foi pagã e sempre representou Satanás como seu líder máximo, nós somos racistas… ora, faça-me o favor! Há pessoas que não se dão o respeito e, ao invés de exigir que o presidente que apoiam descaradamente invista em recursos para que estados e municípios implantem tratamento de esgoto em cidades que não o tem, falam e tentam nos impingir barbaridades que até o diabo se curva perante essas pessoas.

Agora, teve uma outra pessoa, parlamentar inclusive, que fez passar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados uma lei que, na prática, obrigaria o povo a pagar R$ 2 bilhões para um fundo de suposta reparação histórica por causa dos danos cometidos pela escravidão no Brasil. Se essa pessoa fosse parlamentar no tempo de D. Pedro II e exigisse isso, com certeza estaria no tronco juntamente com quem realmente sofreu as torturas cometidas pelos fazendeiros escravagistas e já não está mais entre nós pra dizer quaisquer coisas.

Quer dizer, o povo, não importando quaisquer critérios sociais, seria, na péssima visão periférica dessa pessoa parlamentar, obrigado a pagar para sustentar a própria pessoa parlamentar e outras pessoas de igual cabacice política um valor que poderia ser retirado do bolso do Tóffoli e do Moraes, para quem essa pessoa parlamentar (e o Flávio Bolsonaro) passam pano adoidados. Mais uma pessoa que não se dá o respeito e impinge ao povo o que o povo não exige.

O que o povo (com dois ou mais neurônios) de fato exige é que o dinheiro público seja utilizado na construção de mais hospitais, no tratamento de esgoto, em programas sociais realmente eficientes (e que não sejam eleitoreiros) e que todos os ministros do STF, bem como alguns parlamentares e juristas, sejam cassados. Não exigimos fundo de “reparação histórica” que não repara a história e só aumenta ainda mais a dívida pública, nem exigimos que se aponte “racismo estrutural” nas coisas que nós não gostamos. Eu não gosto de carnaval e ponto. Racista, mesmo, é quem diz que existe racismo estrutural, alega que os outros são racistas por não gostarem de carnaval e anula completamente a luta de quem realmente sofre racismo todos os dias.

Não é só o fascismo, o nazismo, o regime iraniano, o comunismo e tantos outros “ismos” que devem ser combatidos. O identitarismo, que é uma maior praga mais assassina que a COVID, também deve. Por isso, não dê voz a penicos. Não dê pérolas aos porcos. Não ouça os politicamente cabaços. A minha espada neutra, que corta pros dois lados, corta mais que a espada de fio cego do Chico César, que só corta pra um lado e ainda é o lado da defesa da corrupção exacerbada, dos resorts e dos bancos corruptos e de um governo que diz não saber de nada quando sabe até demais.