Muito dinheiro pra pouca sabedoria dá nisso aí
“(…) O magistrado não pode fazer mais nada da vida. Só o magistério (…)”, diz o Exc. Sr. Ministro do STF Alexandre de Moraes, num precioso ataque de sincericídio à la Bolsonaro. Só faltou dizer: “Não posso tomar um caldo de cana ou comer um pastel”. Coisa parecida disse, hipocritamente, o Exc. Sr. Ministro do STF Dias Tóffoli: “Na magistratura, não somos livres para dar opiniões políticas eleitorais”. Logo ele que subiu na vida sendo advogado do PT…
Ora, façam-me o favor! Os magistrados não são santos. E justamente os dois ministros mais que políticos do STF reclamando de barriga cheia. Um, que diz “(…) Todas as carreiras podem ser sócio comercial, inclusive atuando, podem exercer em outros horários outras atividades. O magistrado, não (…)”, mas cuja esposa é mais que amiga, friend de Daniel Vorcaro, o dito cujo dono do Banco Master; o outro, que tem um resort do qual a atração principal é um cassino de raspadinhas. Levando-se esses dois escândalos em consideração, é óbvio que o magistrado não pode fazer mais nada da vida a não ser julgar pelas leis vigentes.
Não pode legislar em causa própria nem tomar decisões monocráticas em causa própria como tem acontecido com frequência nesta atual formação do Supremo. Mas disso, os togados não reclamam. E é lógico que há, sim, Min. Alexandre, diversas vedações sobre a magistratura. O problema é que Vossa Excelência, quando deseja ser tão vingancista quanto Lula, o presidente que ajudou a reentronizar no Planalto, esquece-se de tais vedações e, pra além de taxar vândalos de golpistas, não manda prender também os filhos, parentes e apoiadores do verdadeiro golpista. Afinal, quem tem foro privilegiado é julgado pelo STF. Prender o pai, tudo bem… prender os filhos, um deles ameaçando se candidatar à presidência, isso não, né?
Não é demais recordar que Jair Bolsonaro, mesmo presidiário, apostou com um irmão principalmente no número 13 e arrancou uma graninha da famigerada Mega da Virada, que, desta vez, ocorreu após a virada, não antes. Então quer dizer que quem está na cadeia pode apostar nas loterias da CAIXA e quem está livre, criticando construtivamente, não pode apontar o que está errado que já é cerceado pelo STF, é? A diferença entre eu e Vossa Excelência, Ministro Alexandre, é que pelo menos eu nunca mandei prender, censurar ou cercear liberdade de ninguém que me fosse opositor. Bloquear as redes sociais da pessoa me resolve, principalmente quando a pessoa é chata.
Mas Vossa Excelência, com o poder que tem nas mãos, reclama que “não pode fazer nada”?
- Se não pode fazer nada, por que então, no caso do 8/01, V. Excia. não aplicou o Código Penal de maneira correta, aplicando penas relacionadas a ameaça à soberania da pátria ao invés de penas relacionadas ao vandalismo?
- Se não pode fazer nada, por que então, no caso das críticas ao desgoverno do desapenado, V. Excia. acha que estamos ameaçando à soberania do Brasil ao apontar o dedo na direção da “alma mais honesta deste país”?
- Se não pode fazer nada, por que então, no caso dos juízos contra Sérgio Moro porque este unicamente “cometeu o crime” de prender aquele que agora é presidente, não observou que todas as provas que Moro tinha eram, sim, válidas e, portanto, deveriam ser levadas em conta contra Lula?
- Se não pode fazer nada, por que então V. Excia. não pede pra sair do Supremo e vai viver a vossa vida como um cidadão comum e normal?
O magistrado reclama demais e legisla corretamente de menos. Ministro Alexandre, Vossa Excelência não tem escrúpulos e isso ficou mais que comprovado quando acobertou (ou tentou acobertar) os escândalos relacionados à sua senhora e à seu colega de STF. Agora, dizer que não pode fazer nada quando quer (e tem) poder pra fazer de tudo e condenar quem simplesmente o critica, como já aconteceu, é pedir pra levar uma surra com porrete de espinhos. Faz tudo o que quer e diz que não pode fazer nada… quem não pode fazer nada mesmo é o povo que V. Excia. amordaça. E por amordaçar o povo daqui e de fora e levando-se em conta que o impeachment é pouco... a surra não pode ser desconsiderada.
