A trairagem da semana: Moro no PL!

O poder de convencimento do Waldemar foi forte, hein?


É absolutamente inexplicável como um sujeito que, na posição gigante de juiz federal, conseguiu prender o presidente mais corrupto da história do nosso país e, vendo que isso lhe proporcionou uma fama inexplicável, resolveu se licenciar do cargo, entrar na política e apoiar o maior engodo que a política pariu, com seu cargo de Ministro da Justiça sendo tolhido, o engodo acabando com seu maior pilar de sustentação e, como se isso não bastasse, ter ao engodo uma fidelidade canina a ponto de se eleger senador por um partido centrista e, prepostulando o cargo de governador do Paraná, estado ao qual representa, se filiar a outro, cuja figura máxima é o próprio engodo, sustentado por um mensaleiro convicto.

Pois é exatamente esse o resumo da biografia de Sergio Moro após a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. A macumba que a esquerda fez foi tão forte que, quando Bolsonaro indicou Moro ao Ministério da Justiça, o STF agiu rápido para descondenar Lula (sendo que quem diz que o nosso atual presidente foi inocentado é politicamente cabaço), julgar Moro imparcial e, quando este se elegeu senador, até os bolsonaristas o difamaram. Esses mesmos bolsonaristas também estão incrédulos pelo fato de que Moro, agora, está com uma coleira preta onde se lê “Família Bolsonaro” e é filiado ao PL, partido que só foi liberal quando estava sob o comando do saudoso Álvaro Valle.

E não é só: Waldemar Costa Neto, o maior calhorda que já figurou na política nacional, e o PL em peso respaldaram a filiação de Moro, embora o Progressistas, partido do igualmente calhorda Ciro Nogueira, encontre certa resistência ao ex-juiz e, segundo a Gazeta do Povo, Flávio Bolsonaro convidara o ex-senador e ex-governador do estado Alvaro Dias pra disputar o governo, o que, acredito eu, teria respaldo imediato do PP. Na teoria, Moro seria vice de Alvaro, mesmo este tendo criticado Moro por diversas vezes. Mas a ruptura com Ratinho Jr. (PSD) é fato consumado, até porque ele é um dos pré-candidatos kassabistas à presidência da República, juntamente com Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. E não ficaria bem pro PL apoiar alguém que não fosse da máfia Bolsonaro ou ligado à mesma.

Nós sabemos perfeitamente que Moro assumiu um papel de hipocrisia e puxa-saquismo à máfia desde que assumiu o Ministério da Justiça e, em 2020, criticou a interferência do Jair na PF. Moro é o mesmo cara que esbravejava “Chega de rachadinha!” em 2021 e, no ano seguinte, se dobrava outra vez a Bolsonaro apoiando-o contra Lula, numa clara demonstração de viralatismo poĺítico. Portanto, vendo os desdobramentos da carreira política de Moro, vejo que o STF não estava errado quando julgou Moro como imparcial. E foi só naquele momento. Chega a ser um escárnio com a própria história a filiação de Moro ao PL bolsonarista. Acadelou-se, para delírio da massa desparafusada e para tristeza de nós, aqueles que, algum dia, sonhávamos que a Lava-Jato pudesse voltar à ativa, chegando inclusive a varrer do mapa o abuso de autoridade do Supremo Tribunal Federal. Não desejo que Moro não se corrompa, afinal, é absolutamente impossível você não se corromper num partido onde o chefe é o sujeito mais corrupto do país desde que estourou o Mensalão, no longínquo ano de 2005.

Ainda assim, acredito que essa inexplicável mudança de partido foi praga de petista. Não duvido que alguma criatura que odiasse Moro simplesmente por prender Lula desejasse que ele fosse totalmente contrário aos seus próprios ideais e se tornasse a cadelinha do Bolsonaro. Mas é inegável a decepção que Moro causou aos seus antigos apoiadores, sobretudo naqueles que o apoiaram mesmo quando se acadelou pela primeira vez aceitando ser ministro da Justiça do beócio. O que não significa, todavia, que seu legado na Lava-Jato deva ser apagado por conta disso. Só precisamos aceitar os fatos. Antes de Bolsonaro, Moro era um juiz inatacável. Depois de Bolsonaro, passou a ser um político imperdoável.