Carta aberta aos visitantes deste blog


Pois é, meus amigos. Em 2026, esse despretensioso blog completará 12 anos de existência. Nasceu em 03 de outubro de 2014, no calor dos últimos momentos antes da reeleição de Dilma Rousseff à presidência do Brasil. Porém, de lá pra cá, a situação política tem ficado cada vez mais terrível de se acompanhar, seja por notícias, seja por memes. A maioria das pessoas está se politizando mais e se policiando menos. O pudor perdeu-se no meio do caminho. Hoje, mais ninguém tem vergonha de apoiar político A, B ou L. Defende até os piores erros do político, critica e xinga, no mais baixo nível, quem se opõe ao político, insere política até em assuntos que nada tem a ver com política, achando que “tudo tem a ver com política”.

Por isso, e por tudo o mais, é que tomei a decisão radical de ouvir a voz de Deus (que é a voz da razão na minha vida) e não mais publicar quaisquer artigos relacionados diretamente à política ou ao judiciário brasileiro. E não é porque 2026 é um ano eleitoral, mas sim porque está acontecendo, diante dos olhos de vocês, uma correção de rota neste blog. Este blog deveria falar sobre qualquer assunto, exceto televisão aberta, sobre a qual já tem o TVer Ou Não TVer, que igualmente completa 12 anos este ano, só que em 16 de dezembro, desmembrado daqui do Variante. Todavia, a cada artigo que escrevi este ano, somado aos fatos publicados pela imprensa e no Twitter em relação aos desmembramentos dos acontecimentos político-judiciários do Brasil, senti algo estranho. Desde 2019, aliás, eu me politizei mais. E estava até correndo o risco de ser politicamente cabaço também, embora não puxe o saco de político algum. E outro detalhe: todos os artigos que havia escrito em 2026 até agora eram relacionados à política.

Portanto, a partir daqui, vocês não verão novos artigos sobre política ou justiça brasileira ou internacional. Aliás, nem novos, nem antigos, porque os que já havia escrito anteriormente, incluindo-se aí o artigo que estreou esse blog, resumindo o último debate antes das eleições de 2014, foram devidamente apagados. Não significa, contudo, que minha posição política neste ambiente demasiadamente polarizado tenha mudado da água pro vinho. Continuo não aliviando pra político nenhum. Apenas tomei a decisão sábia de não mais envolver o Variante no debate político nacional, ainda que jamais este espaço tenha influenciado o grande público.

Não quero tornar o Variante um objeto perigoso de qualquer candidato que seja contra partido A ou B, situação ou oposição. Este blog não é pra isso. Na verdade, esse blog sempre teve o intuito de espalhar minha opinião aos quatro cantos do mundo sobre qualquer assunto. Agora, esta decisão editorial que tomo será de vital importância para a existência deste espaço. O Variante falará sobre tudo… menos política ou justiça. Falarei sobre futebol, sobre música, sobre cinema, sobre erros grotescos do jornalismo… até sobre autismo, que é o que tenho e que, infelizmente, muitas pessoas estão considerando como modinha porque algumas pessoas que estão sendo diagnosticadas estão tratando o autismo como se fosse brincadeira. Não é. Nunca foi. Nunca será! Mas isso é pra outro dia…

Hoje, me despeço de vocês desejando não mais escrever sobre política aqui. Ainda que meus dedos cocem pra digitar, ainda que minha língua queira falar sobre, ainda que minha garganta deseje gritar as injustiças deste país, não falarei mais de política no Variante. O dia que Deus me permitir, criarei um blog só sobre os três poderes do país. Enquanto isso não acontece, adeus Lula, adeus Bolsonaro, adeus Alexandre de Moraes. Agradeçam a Deus por eu não mais achincalhá-los publicamente. A você que só está de passagem, fique. Siga o blog (nunca te pedi isso), nem que você se esqueça de ver as minhas postagens depois. A vocês que me seguem, fiquem também. Não é por causa de vocês que eu estou aqui? Lógico que é. Vocês merecem muito mais que um blog politizado demais. Vocês merecem que eu opine sobre quaisquer coisa que não envolva política ou STF. E aqueles que não deixarem de me seguir por esta decisão que tomei, peço a Deus que os abençoem. Afinal, nem só de política vive o homem.

Gian Carlos Pereira Gregório