Politburros #02

E vamos para mais uma edição do Politburros, afinal, nem só de levar ferro vive o brasileiro, né?


E não era com arco-e-flecha
A Polícia Civil do Mato Grosso descobriu que o Comando Vermelho (CV) estava treinando indígenas numa aldeia na área rural de Coroados, perto do Rio São Lourenço. A investigação só começou porque haviam indícios de tráfico de drogas por lá. Os agentes da Civil matogrossense, além de chegarem à aldeia de helicóptero, ainda apreenderam duas espingardas, uma .22 e outra .20 de dois canos, e munições de vários calibres, do fino ao grosso. O CV tava treinando os indígenas com armas de uso restrito, quer dizer… no governo de esquerda, o civil não pode ter uma .40 ou um fuzil .556, desde que pertençam às facções que eles apoiam. Inclusive, um dos vagabundos do CV que treinava o pessoal da aldeia é casado com uma indígena. E aí o povo da cultura woke insiste em chamar os indígenas de “povos originários”… primeiro que originários eram os dinossauros. E com certeza eles não iriam pegar em armamento pesado, porque os bracinhos que tinham não os permitiria atirar de longa distância.

Cadeia pra misógino?!
Com autoria de Ana Paula Lobato (PSB) e relatoria de ninguém mais, ninguém menos que Soraya Thronicke, o Senado aprovou, por unanimidade, um projeto de lei que equipara a misoginia ao machismo e a torna imprescritível e inafiançável, com o sujeito dito misógino podendo pegar até três anos de cana, a princípio, em regime fechado e multa no lombo. E se houver injúria motivada por misoginia, a pena aumenta pra cinco anos e pode ser aumentada em 50% se o crime for cometido por dois ou mais indivíduos. O caput do projeto, todavia, não agradou a uma parcela considerável das mulheres. Por exemplo: simplesmente dizer que a mulher está com raiva só por estar de TPM, o que é um fato, pode levar o sujeito à prisão se o texto também for aprovado na Câmara (Deus nos livre) e for sancionado por Lula. Óbvio que muitas mulheres acham isso ridículo, mas prender o misógino por palavras é o mesmo que deixar Bolsonaro em prisão domiciliar: é inconcebível. E que engraçado… um projeto de lei desses pra corrupção, pra torná-la imprescritível e inafiançável nenhuma senadora ou deputada fez passar por votação até agora. E detalhe: petistas e bolsonaristas votaram a favor da lei, incluindo Sérgio Moro.

Falador não passa mal
O lazarento Kim Jong-Un (não confundir com Kim Kataguiri), que ainda comanda a Coreia do Norte com mãos de ferro e pensamentos de minhoca, disse que o programa de armas nucleares do país permanece, rejeitando quaisquer trocas de arsenal por garantias de segurança. Em outras palavras: ele pode até morrer com um tiro na cabeça que não abre mão das bombas. E o argumento estapafúrdio que o ditador usou foi a guerra da aliança Israel-EUA contra o regime teocrático do Irã, dizendo que “as armas nucleares são essenciais”. Hiroshima, Nagasaki e o atol de Mururoa não concordam. E pra piorar, Jong-Un declarou a Coreia do Sul como “o estado mais hostil”. Se não fosse o maldito Kim Il Sung ter tomado o norte para si em 1948, esse zé ruela sequer estaria vivo hoje.

Só não vai quem já morreu…
Para desespero dos petistas e bolsonaristas, o sócio-fundador do MBL Renan Santos (Missão) já aparece em 3º na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, apenas atrás dos semideuses que os politburros puxam o saco. Renan tem 4,4%, empatado tecnicamente com o governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), que está com 3,7%, e o governador mineiro Romeu Zema (Novo), que tem 3,1%. Se trocarmos Caiado por Eduardo Leite (PSD), governador gaúcho, Renan sobe dois décimos (4,6%), enquanto Zema sobe pra 3,7% e Leite fica com 3,1%.

…quem desistiu…
Agora, se trocarmos Leite por Ratinho Jr. (PSD), governador paranaense que, para a glória de Deus, desistiu da pré-candidatura à presidência, Renan segue com 4,6% enquanto Ratinho fica com 3,7% e Zema com 3,3%. O que surpreende é o fato do ex-deputado federal Aldo Rebelo estar na pesquisa, ainda que com menos de 1%. E levando-se em conta que Renan é o único candidato a presidência que critica as atuações do STF, bem como os descalabros do Congresso e as bandalheiras de diversos políticos, o MBL, que, segundo os bolsoburros, é aliado ao PT (sendo que os verdadeiros aliados ao PT, sobretudo no Congresso, são os bolsonaristas), está se pontificando como a terceira via destas eleições.

…quem acha que tem força…
Num hipotético segundo turno entre Lula e Flávio (e se isso realmente acontecer, que Deus me tire do Brasil e me faça morar no México, em nome de Jesus), haveria um empate técnico, decidido por um décimo a favor do 01. Além disso, Lula perderia, em outros cenários hipotéticos, para Michelle, ex-primeira-dama, e pro governador bolsonarista de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Inclusive, o Rachadinha tá tão confiante que acham que já vão levar no primeiro turno. Eu desconfio que a soberba precede a queda. Da direita e da esquerda, nesse caso.

…ou quem foi cassado
Cláudio Castro (PL) foi declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político e econômico no pleito de 2022. Diz ele que pretende recorrer, mas acho difícil que ganhe, pois o TSE, intrinsecamente ligado ao STF, só toma decisões favoráveis a um lado político. Além de Castro, o TSE tornou inelegíveis o presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar e o ex-presidente da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (CEPERJ), Gabriel Rodrigues Lopes. Veja em que presepada o Rio se enfiou ao eleger Cláudio Castro já no primeiro turno: o próprio Castro renunciou, mas está inelegível; Washington Reis, primeiro vice, cuja irmã é vice na chapa de Eduardo Paes ao governo do estado, foi impugnado; Thiago Pampolha, segundo vice, também renunciou; Bacellar, além de inelegível, tá preso; o novo governador é o presidente do Tribunal de Justiça do RJ, Ricardo Couto. E este nem sequer foi eleito!

Moro virou gado em definitivo
Depois que nós abordamos a trairagem que Moro fez ao trair seus apoiadores lavajatistas e se filiar ao PL, o próprio Flávio Bolsonaro ratificou o apoio ao ex-juiz e atual senador (sentado do lado dele) e indicou que os senadores da chapa do traíra ao governo do Paraná seriam Filipe Barros (PL) e, para surpresa de ninguém, Deltan Dallagnol (Novo), tão bolsonarista quanto e puxa-saco do seu velho amigo Moro. Ou seja, nada que não fosse parecido com Ratinho Jr., cuja pré-candidatura à presidência só foi retirada porque ele quer fazer seu sucessor no governo, já que Moro é líder nas pesquisas.

A fuga da “peleleca”
Pra terminar: Martha Graeff fugiu da CPI do Crime Organizado e vai faltar à oitiva desta quarta-feira 25. O depoimento de Pedro Taques, todavia, segue previsto na pauta, como havíamos adiantado na edição de estreia do Politburros.