Teje todo mundo preso!

Não adiantou o STF derrubar


Na quinta-feira 26, o STF derrubou a prorrogação do prazo de funcionamento da CPMI do INSS no Congresso. Por 8x2. Placar tão doído quanto o 7x1 da Alemanha. André Mendonça e Luiz Fux votaram para que se prorrogasse a CPI por mais dois meses, mas os outros oito tiranos decidiram que a palavra final deve ser do presidente do Senado, o incipiente Davi Alcolumbre (União-AP), que já adiantou que não vai prorrogar a CPMI. Pois bem: no penúltimo dia de funcionamento, o deputado alagoano Alfredo Gaspar (União), relator da CPMI, conseguiu tomar para si o lugar de protagonismo que uma farofada como essa pedia. Afinal, num país onde os verdadeiros comediantes acabam indo presos sem importar qual ideologia política defendem, alguém tem que fazer o povo rir, nem que esteja vestido de colarinho branco. Na mesma reunião, Gaspar conseguiu provocar Gilmar Mendes citando Barroso, jantar o Lindinho da Odebrecht e mandar prender Vorcaro e Lulinha.

Tudo remonta a 21 de março de 2018, onde o hoje ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso dizia que Gilmar era “(…) uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia. (…) não consegue articular um argumento. (…) Vossa Excelência nos envergonha. Vossa Excelência é (…) uma desonra para todos nós. (…) Um temperamento agressivo, grosseiro, rude (…)”. Pois Gaspar usou exatamente esse discurso para alfinetar Gilmar, que criticou a atuação da CPMI chamando as quebras de sigilo, importantes para o funcionamento da democracia, de “inconstitucionais” quando da votação de requerimentos em conjunto, chamou o vazamento das conversas de Vorcaro com a “peleleca” de “criminoso” e disse que tanto a CPMI do INSS quanto a CPI do Crime Organizado “têm um abecedário de abusos”.

Fico com Barroso e Gaspar. Gilmar Mendes é, de fato, um ministro horrível. Aliás, tanto ele quanto os outros sete tiranos que o acompanharam no voto da derrubada da prorrogação da CPMI envergonham a justiça brasileira. E são cônscios disso. Aliás, as falas de Barroso são, como Gaspar bem pontuou, uma “poesia” perto dos meus pensamentos sobre a maioria dos ministros da Suprema Corte brasileira. Depois disso, Lindbergh Farias (PT-RJ), cuja atuação parlamentar remete a “se eu sair do governo, a Gleisi sai junto”, chamou Gaspar de “estuprador”. Se Sarney estivesse atuante na política, diria que falta a “liturgia do cargo” ao Lindinho da Odebrecht. Ora, estuprador mesmo é o preço dos combustíveis e dos alimentos. E vagabundo tá lá, passando pano pro cachaceiro e atacando qualquer um que se oponha a Lula, sendo ou não defensor do beócio.

Gaspar, todavia, não baixou a cabeça pro Lindinho com uma frase que Soraya Thronicke quando da sua candidatura à presidência sequer teria coragem de dizer: “(…) Eu estuprei corruptos como Vossa Excelência, que roubam do Brasil (…)”. Ou seja, a frase de Gaspar dá margem para um entendimento de que Lindbergh não passa de um arrombado, o que ele comprovou ser, de fato, chamando Gaspar de “estuprador”. E olha que em plataformas como o TikTok essa palavra costuma derrubar muitos perfis. Mas, no nosso esboço de democracia, isso não derruba nem a falta de vergonha na cara de certos parlamentares. E Lindbergh ainda levou uma comida do presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), que mandou que o dito cujo respeitasse “aos colegas e a si mesmo”. Ora, se Lindbergh respeitasse a si mesmo, ele não teria sequer entrado pra política ou apoiado Lula em quaisquer eleições que disputasse. Portanto, o respeito a si próprio não passa pela cabeça de político comprovadamente corrupto.

Enfim, Gaspar mandou prender 216 pessoas, entre elas: Daniel Vorcaro (óbvio), Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência de Lula e o cara que destruiu o legado de Brizola no PDT (pois foi seu sucessor direto na presidência do partido), Onyx Lorenzoni, ex-ministro de Bolsonaro e um dos sujeitos mais irresponsáveis que o Rio Grande do Sul elegeu (junto com Eduardo Leite, frise-se), Ahmed Mohamad Oliveira Andrade (ou José Carlos Oliveira, como queiram), ex-ministro da Previdência de Bolsonaro e, nas palavras de Gaspar, “facilitador e beneficiário de uma rede criminosa instalada no topo da administração previdenciária”, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), acusado por Gaspar de ser “liderança política e suporte institucional da organização criminosa”, e ainda o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por cinco crimes, dentre os quais “lavagem ou ocultação de bens” e “organização criminosa”, coisa que o pai dele sempre foi hábil em fazer. Aliás, o provável “sócio oculto” do Careca do INSS pode ter sido o Lulinha. Não será surpresa se isto for comprovado. E logicamente PT, PSOL e a esquerda a quatro vão tentar blindar o vagabundo.

Além disso, Gaspar pediu que a PF investigasse a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, pra ver se ela cometeu algum crime enquanto CEO da Crefisa. Se fosse mais esperto, pediria a John Textor que lhe cedesse os documentos que o inglês supostamente teria pra comprovar que o Brasileirão de 2023 fora roubado. Quanto ao Banco Master, eu já não sei se ela tem envolvimento. Mas que ela é literalmente a reencarnação do Eurico Miranda, ah, isto é. A PF deveria investigar se ela cometeu, dentre outros crimes, “gestão fraudulenta e temerária”. Se isto fosse comprovado, Samir Xaud não duvidaria um segundo sequer em implantar, sem consultar os clubes, o fair-play financeiro à brasileira. Afinal, até nisso se dá um jeitinho brasileiro, né?

Por tudo isso, Alfredo Gaspar merece, só por hoje, os mais sinceros cumprimentos daqueles que têm dois ou mais neurônios para entender que a CPMI do INSS merecia, além de ser prorrogada, indiciar mais pessoas. 216 é um número razoavelmente baixo pra um escândalo desses. Não conheço o trabalho de Gaspar; sei que ele é de um partido do Centrão, o que já remete a uma velha desconfiança. Mas hoje ele superou todos os anos nos quais esteve na política. Ter peito pra indiciar petistas, bolsonaristas e pedir até pra investigar uma presidente de clube grande num dos escândalos financeiros mais sanguessugas da história recente do Brasil desde o Mensalão é de tirar o chapéu, seja de corno, seja de gado, seja de jumento. Se o relatório for aprovado pelo colegiado apesar da blindagem do PT a Lulinha, o filho do homi há de ir preso. Para a glória de Deus.