E isso que a mãe não quer que eu fale sobre política...


No dia 30 de março de 2026, quando publiquei uma carta aberta aos visitantes deste blog desejando não falar mais sobre o sistema político-judiciário deste país, estava cometendo o pior erro da minha vida. Aliás, o segundo pior. O primeiro foi ter dado ouvidos à minha mãe no primeiro turno de 2022, quando eu estava convicto em anular meu voto e ela, no alto de sua crendice (porque com certeza não foi Deus que falou aquilo pra ela), disse que era pra todo mundo da família votar em Lula porque sonhou que "o país estava triste com Jair Bolsonaro eleito". O único que ficou feliz com a eleição de Lula foi Alexandre de Moraes. E até ele foi abandonado pelo atual presidente.

No entanto, desde que publiquei aquela carta aberta, da qual me arrependo amargamente, os políticos e os ministros do Supremo Tribunal Federal se despiram de suas máscaras mais infames e se colocaram como realmente são: como crápulas. A imprensa, que deveria se posicionar como independente, se dividiu entre quem realmente é independente, como Felipe Moura Brasil, e quem só está se aproveitando da crise institucional para empurrar os escândalos pro lado que achar conveniente, como Kim Paim e o povo da Globonews. Até o NaTelinha, antes uma das minhas referências pra pautar o blog TVer Ou Não TVer, está claramente se posicionando à favor da continuidade do fraco desgoverno de Lula, vide as colunas de João Paulo Dell Santo e Sandro Nascimento que não me deixam mentir.

Todavia, quem tem dois ou mais neurônios ativos sabe perfeitamente que Lula, Flávio Bolsonaro, Alexandre de Moraes e Dias Tóffoli têm ligações com Daniel Vorcaro, o P. Diddy da falsa democracia tupiniquim. O 08 de janeiro e as punições de golpistas outorgadas a vândalos, a maioria delas vindas das decisões monocráticas tomadas por Moraes, foram fichinha perto do que o lavador de dinheiro mais famoso da atualidade fez e está fazendo com as eleições deste ano.

Nós, "isentões", já percebemos os movimentos dos candidatos. Lula está tentando, de todas as formas, se descolar dos escândalos dos quais ele próprio também participou, tentando de todo jeito empurrar a relação com Vorcaro nas costas de Flávio, inclusive se esquivando de defender Moraes na sabatina do SBT de 10/09. Logo Moraes, que praticamente foi o chefe de gabinete de Lula, foi praticamente abandonado por aquele a quem convidou pra um simples cafezinho.

O filho de Jair Bolsonaro (felizmente preso, infelizmente preso em casa), por sua vez, tenta se blindar das acusações comprobatórias contra ele e Vorcaro, acusações estas envolvendo o fatídico filme Dark Horse, tão podre quanto quaisquer documentários tendenciosos de Petra Costa, empurrando a relação com Vorcaro nas costas de Lula. Só que todos nós já sabemos perfeitamente que tanto Lula quanto Flávio estão alinhados com o banqueiro.

A desfaçatez com a qual ambos tentam se desfazer da ligação que ambos têm com Vorcaro chega a ser deprimente. Mais deprimente ainda é saber que ambos são líderes nas pesquisas.

E como se isso não bastasse, Lula e Flávio estão correndo dos debates. Já fugiram covardemente do debate da Band. Lula argumentou que só teriam "candidatos de direita" e "que se tivessem mais candidatos de esquerda ele iria". Ué, mas o próprio Lula não disse outro dia que nunca foi de esquerda? Esse argumento mais tosco que as novelas mais recentes do Mega, canal chileno líder de audiência atualmente, foi aceito por Flávio e, pasmem, por Romeu Zema, que não só correu como deixou claro que a candidatura dele é mais pra atrapalhar Lula do que pra tirar Flávio da disputa; não é demais lembrar que Zema foi procurado por Flávio pra ser vice deste, embora Zema se negasse a ser vice de quem quer que seja e quis porque quis levar adiante a candidatura.

Com a ausência de Lula, Flávio e Zema, argumentaram que o debate da Band fora esvaziado. Mas se formos parar pra analisar, o único que saiu-se com argumentações técnicas, ainda que nada convincentes, foi o líder do Movimento Brasil Livre, Renan Santos (Missão). Aliás, Renan, Ronaldo Caiado (PSD) e o psicanalista Augusto Cury (Avante) foram convidados pelo pool liderado por SBT e RedeTV para o debate que seria realizado entre os presidenciáveis. Mas, como era de se supor, o Renan teria que levar fraldas novas se o debate acontecesse, pois Lula e Flávio se cagaram de novo. Conclusão: o debate do pool foi cancelado por covardia do presidente e do filho do ex-presidente.

O pior é que, como era de se esperar, as sabatinas do Grupo Globo foram as piores possíveis. A inquisição provocada por César Tralli, nervoso da cabeça aos pés, e Renata Vasconcellos, cuja postura nas sabatinas contrastou seriamente com a apresentada normalmente no Jornal Nacional, somadas às acusações tendenciosas disfarçadas de perguntas feitas por Andréia Sadi e Natuza Nery, da Globonews (de onde Lula e Flávio também fugiram), foram dignas de repulsa e nojo nas redes sociais. Sadi, Natuza e Renata, inclusive, foram elogiadíssimas por Sandro Nascimento em suas colunas, comprovando o que eu disse anteriormente sobre a posição escancarada da imprensa.

Mas é inegável que as posições mais questionáveis, até aqui, vieram por parte de SBT e Record. Enquanto o SBT convidou somente Lula, Flávio e Cury pras suas sabatinas, a Record foi além e avisou que não ia convidar Renan pra absolutamente nada. O problema aqui não é nem a obrigatoriedade da lei eleitoral ou da portaria do TSE anterior ao início da campanha especificando quem teria direito ao horário eleitoral e às inserções em rádio e TV e prioridade nas sabatinas e debates, e sim a falta de vergonha na cara em dizer publicamente que não chamará um candidato pra nada.

Vamos criar uma situação hipotética aqui: se Renan Santos fosse pro 2º turno contra Lula ou Flávio (o que, dadas as atuais circunstâncias, é humanamente impossível de acontecer, vide que o povo acredita em pesquisa, em ministro do STF, em político corrupto, mas não no Senhor Jesus Cristo [que é quem vai, de fato, decidir as eleições]), a Record com certeza manteria a posição adotada agora e chamaria apenas o outro postulante à presidência. Logo, sairia como tendenciosa de cara e sairia como a mais queimada (junto ao Grupo Globo, claro) das eleições.

Enquanto isso, do outro lado da Praça dos Três Poderes, as constantes trocas de farpas entre André Mendonça, o "terrivelmente evangélico", e o protoditador da República chegaram ao limite do limite. Edson Fachin, presidente do Supremo, estava sendo acusado de não fazer nada. Até que Mendonça destitui Andrei Rodrigues da Polícia Federal, do mesmo jeito que Moraes fez com Alexandre Ramagem e foi aplaudido. E como tudo no sistema político-judiciário brasileiro vira briga de torcida, Mendonça foi achincalhado (e continua sendo) pelos fanáticos de Lula por causa disso.

Pois bem: Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e apoiador ferrenho da causa Lula Livre, anulou a decisão monocrática de Mendonça e Andrei Rodrigues voltou à direção-geral da PF. E tanto Dino quanto Moraes alegaram que Mendonça estava tentando ser "a vítima, o réu e o juiz" dos casos que lhe vinham. Algo que Moraes já vinha sendo há mais de 3 anosE Fachin, que num rompante de Jaiminho queria apenas "evitar a fadiga", finalmente meteu a caneta no escândalo, tirou Moraes da condução do inquérito das "fake news" e suspendeu as decisões de Dino e Mendonça. Além disso, Fachin marcou pra 15 de setembro uma sessão plenária pra saber se é pra investigar Moraes ou não. Ora, Min. Fachin, Vossa Excelência tem alguma dúvida ainda?

Moraes, então, quis abrir o berreiro. Marcou um pronunciamento pras 11h do dia 10/09. E imitando Lula e Flávio, arregou e fugiu do escrutínio. Aquela canetada do Fernando Haddad no Twitter lá em 2020, perguntando se "É bundão que chama quem foge de debate?", é tão vigente que o próprio Haddad deu exemplo até ao seu próprio chefe indo no debate ao governo de São Paulo organizado pela Band e iria no debate do SBT... se este também não fosse cancelado porque Tarcísio de Freitas igualmente arregou.

Até então, a esquerda estava ligando até Mendonça a Vorcaro por causa de um sócio linguarudo do banqueiro que alegava que Mendonça estava precisando de grana pra comprar um terno. Mendonça, então, mostrou que tem provas pra falar a verdade: tirou a foto de um boleto do Banco do Brasil, mostrando que o terno que ele comprou foi parcelado. Ou seja, como todo brasileiro que se preze, Mendonça tá parcelando tudo, comprovando que ele, sim, está apenas vivendo do gordo salário de R$ 46 mil que lhe é outorgado por lei. O Moraes e o Tóffoli já não têm culhão pra provar o mesmo.

E como se isso não bastasse, assim como Lula abandonou Moraes à própria sorte, Mendonça abandonou Flávio à própria sorte, abrindo, a pedido de Fachin, o sigilo dos autos de Vorcaro, bem como autorizando uma investigação no próprio STF contra Flávio e Vorcaro na questão dos repasses do banqueiro à produção de Dark Horse. Sim: o Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, mandou investigar Flávio Bolsonaro por sua ligação financeira com Vorcaro. Isso não é um teste!

Ou seja: a investigação que era somente da alçada da PF agora passa a ser também do STF. Agora, com a caixa de Pandora aberta, resta saber se Fachin fará o mesmo com Moraes e também com Lula, afinal, o atual presidente também tem ligações perigosas com Vorcaro, como as visitas deste e do homem da mala preta ao Planalto, bem como uma inauguração de uma empresa de Vorcaro à qual Lula, no exercício do poder, compareceu. Como diria Caiado: é por aqui que se dará a cassação da candidatura do PT... e do PL.

É o único jeito dessa eleição cair no colo do Renan. Ora, se ele for pro segundo turno, vai ser porque Lula e Flávio estão tão encrencados quanto Moraes e Tóffoli no caso Vorcaro (que não é só o Banco Master e não é só o Dark Horse, é tudo isso e mais um pouco). Além disso, Anthony Garotinho, outro que não é flor que se cheire, alegou que tem um vídeo onde há ministros do STF, pelados, em festas do Vorcaro com mulheres. Se investigar bem, o presidente e o filho do beócio vão estar lá também.

Aliás: lembram-se que nas festas do P. Diddy haviam menores de idade e outras coisas mais pesadas? Então... pode ter acontecido a mesma coisa aqui. Se isto está na gaveta e o Fachin mandar o Mendonça liberar o sigilo, PT, PSOL, PL e Centrão estarão definitivamente liquidados da política nacional.

E isso que a mãe não quer que eu fale sobre política...