Em meio à sessão mais aguardada da história do STF, o cerco se fecha pro Moraes e até pro Kassio
Que Daniel Vorcaro é um apreciador nato da beleza feminina, isso todo mundo já sabia. O que ninguém tinha certeza até agora era que ele fosse, além disso, agenciador de book rosa. Tanto é verdade que as mensagens reveladas há muito tempo pela revista Piauí, cujo sigilo fora quebrado recentemente, traziam à baila conversas de Vorcaro com o ex-deputado e CEO do SBT News, Fábio Faria, sobre o agenciamento de garotas para as festas do banqueiro, envolvendo também o senador Rodrigo Pacheco e o presidente do Senado, o incipiente Davi Alcolumbre, candidato à reeleição no Amapá, além, é claro, de Dias Tóffoli.
Levando-se em conta que Faria, infelizmente, ainda é casado com Patrícia Abravanel, cujas declarações de ter feito, durante 4 meses, jejum e oração para que Deus lhe enviasse um marido temente a Ele (e bem no fim Satanás se atravessou e mandou o Fábio Faria no lugar) foram vistas com rechaço e desprezo pelos progressistas, o hate cresceu pra cima dela, sendo que foi ela a vítima do laço do passarinheiro nesse caso.
O que ninguém esperava, pelo menos até então, é que não eram apenas Tóffoli e Moraes os contatos mais próximos a Vorcaro dentro do STF. Se revelaram conversas com Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, e citações a Kassio Nunes Marques para, lógico, negociações que redundassem em relações sexuais.
E como o julgamento (que, enquanto escrevo este artigo, já está acontecendo) pra tentar lavar Moraes estava sendo articulado para que Gilmar Mendes, Zanin, Flávio Dino e os demais capangas blindassem Alexandre, o Grande Paspalho em detrimento do "terrivelmente evangélico" André Mendonça, que vem sendo atacado por Dino e pelo "Lindinho" da Odebrecht Lindbergh Morais, eis que o protoditador da República tentou se defender da pior maneira possível: atacando Mendonça com ilações e fake news.
Moraes alegou que Mendonça teria confabulado com Davi Alcolumbre para que este fizesse uma delação premiada. Alcolumbre é claramente opositor a Mendonça; se não o fosse, já teria votado há tempos o impeachment de Moraes no Senado. Disse também, sem quaisquer provas cabais, que o relatório da Polícia Federal que embasou o pedido de investigação contra ele, Moraes, teria tido colaboração de "órgão externo". Nenhum órgão foi citado e, repito, não há provas. Só que ele não foi investigado, e sim Vorcaro, que está devidamente preso.
Ah, sim... sobre Vorcaro, Moraes nega que trocou mensagens com ele. Esse argumento é tão verdadeiro quanto os R$ 130 milhões do contrato do banqueiro com a mulher dele. Pior que isso só o fato de Moraes, que supostamente teria "notável saber jurídico", escrever WhatsApp das maneiras mais toscas possíveis. Pra fechar com chave de ferro (que é o que o brasileiro vem levando desde que a ditadura ascendeu ao poder lá em 64), Moraes alega que jamais julgou qualquer processo do banco Master, sendo que ele próprio pediu vista do julgamento da aquisição de precatórios de Vorcaro nas alcooleiras em 2024.
E como se isso não bastasse, Moraes se julga alvo de vingança por parte dos bolsonaristas, alegando que o 08/01 (que só teria sido tentativa de golpe de fato se não houvesse um vandalismo e se o Exército tivesse aderido) simplesmente mudou seu modus operandi. Ora, sabemos muito bem que quem está orquestrando uma vingança aqui é o próprio Moraes. Afinal, para garantir que Lula continuasse o plano de arruinar o país, plano este iniciado pelo próprio PT em 2002, executado com maestria por Bolsonaro em seu desgoverno e retomado por Lula em 2023, Moraes sabia que deveria neutralizar quaisquer tentativas de desestabilizar aquele que ele próprio ajudou a livrar da cadeia.
E por mais que tente, a esquerda jamais conseguirá apagar a história. Nos dois mandatos, Michel Temer era vice de Dilma Rousseff, a qual foi derrubada por pedaladas fiscais em 2016. Aqui eu concordo que houve, de fato, um golpe, orquestrado por Eduardo Cunha para erigir Temer ao poder. Sim, porque, se Dilma tivesse realmente sido cassada, teria perdido os direitos políticos por oito anos e, consequentemente, não disputaria a eleição de 2018, se candidatando ao Senado por Minas Gerais, como aconteceu.
Não é demais lembrar, no entanto, que quem nomeou Alexandre ao STF foi Temer. Enquanto a Lava-Jato estava vigente e Lula estava na cadeia, recebendo benesses e se metendo até na campanha eleitoral (algo que Moraes proibiu Jair Bolsonaro de fazer), o Supremo estava agindo na naturalidade que lhe cabia. Até o momento em que Sérgio Moro resolveu apoiar Jair e entrar na equipe do mesmo como Ministro da Justiça.
A partir dali, Moro viu seu legado entrar em declínio, Lula ser solto (não inocentado), retomar seus direitos políticos, endossar a ideia das decisões monocráticas (ideia de Rosa Weber para ameaçar a soberania da pátria e a democracia do país), ser reeleito pela terceira vez e apoiar Moraes em todas as suas decisões revanchistas contra os bolsonaristas. Com a ideia de Weber em prática, Moraes se soltou e demonstrou quem ele realmente é: um projeto de Hitler dentro da justiça brasileira.
Taxou vândalos de golpistas, se envolveu em rolos com a justiça americana, processou até quem nem tinha a ver com seus delírios de protoditador e fez com que a esquerda o aplaudisse de pé, fato que se mantém até os dias de hoje, apesar da ligação escancarada com Vorcaro. Aliás, não é só ele: Flávio Bolsonaro, cujo contato também está ligado ao banqueiro, não perdeu apoio dos bolsominions mais radicais e até ganhou mais apoio daqueles cujo cérebro não cria mais sinapses há muito tempo.
E nisso tudo, onde estão os processos contra Lula, que também tem ligação com Vorcaro e que foi quem mais se beneficiou das decisões monocráticas de Moraes? Ora, é sempre bom lembrar que nem todos os documentos foram liberados ainda. Portanto, se algum outro sigilo for quebrado e envolver o atual presidente, podem anotar: Lula e Flávio só vão ter apoio mesmo dos mais fanáticos, os quais, frise-se, serão poucos perto dos mais indignados com eles e com Moraes, que já são maioria e que, infelizmente, não vão influenciar nos trabalhos sujos do IBOPE, do Datafolha, da Globonews e dos veículos mais sujos da imprensa.




